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JOELMIR BETTING

Tem zebra na linha

Nove em cada dez consultores de telecom e datacom jogavam todas as fichas na adoção do padrão americano para a telefonia celular da Banda C. Técnicos e conselheiros da própria Anatel também. Já nos descontos de uma gestação deliberativa iniciada em janeiro (e com o ministro Pimenta da Veiga escolhendo Nova Iorque para o anúncio da escolha brasileira), a agência reguladora acabou optando pelo padrão europeu.
Presidente da Anatel, Renato Guerreiro foi voto vencido. Ele fazia opção pelo padrão americano.

Vamos, pois, no celular de terceira geração, vulgo 3G, para a faixa de freqüência de 1,8 gigahertz. A tecnologia européia atende pela sigla GSM, de Global System Mobile. De fato, freqüência hoje globalizada por toda a Europa, pelo Oriente Médio, pela África e por quase toda a Ásia e Oceania exceção da Coréia do Sul.

O Brasil é o 145º país do mundo a pegar o bonde GSM. Já utilizado por 272 milhões de assinantes, o principal ponto-de-venda do padrão europeu é justamente o de permitir o uso do celular fora das áreas de concessão das operadoras nacionais ou regionais.

Com direito ao roaming internacional automático.

A plataforma escolhida pela Anatel foi apurada e difundida pela alemã Siemens, pela finlandesa Nokia, pela inglesa Vodafone e pela francesa Anatel. Ela deu carona à americana MCI WorldCom, controladora da nossa Embratel. A tecnologia americana de padrão TDMA/CDMA, com faixa de 1,9 gigahertz, está presente nas três Américas e na Coréia do Sul. Foi desenvolvida pelas americanas Motorola e Qualcomm, pela sueca Ericsson e pela coreana Samsung.

O forte do padrão americano estava na compatibilidade da plataforma brasileira já existente para as 21 operadoras de celular das Bandas A e B. O que seria uma ponte digital mais curta e mais barata para a introdução da Banda C (para voz, dados, imagens).

Ou será que não? O relator do processo de escolha, José Leite Pereira Filho, justifica a adoção da faixa de 1,8 gigahertz: 1) a instalação da futura rede é igualmente rápida; 2) haverá um bloco maior de competidoras para os leilões de licitação ainda este ano; 3) a freqüência escolhida permite operar as futuras Bandas C, D e E, sem deixar de dar carona à atual Banda B; 4) atrai para o Brasil uma nova baciada de projetos dos fabricantes europeus de equipamentos.

Peritos do ramo dizem que a decisão não deixou de ser salomônica: há prós e contras no GSM e no TDMA/CDMA para as condições brasileiras. O problema está no desalinhamento da plataforma: são três padrões superpostos e/ou paralelos. Isso enfraquece a usinagem dos ganhos de escala, alma do negócio das redes de telecomunicação. Meio padrão não existe.

Meio-termo

Líder dos pombos, a Arábia Saudita queria aumentar a oferta em 900 mil barris por dia. Líder dos falcões, o Irã admitia, no máximo, 500 mil. Resultado: dividido, o cartel da Opep apelou para 708 mil. O número quebrado é para dar a impressão de um ajuste técnico.

Patinando

A decisão da Opep deve manter o mercado mundial em fogo brando, com barril tipo brent ao redor de US$ 28. Sobre o primeiro trimestre do ano passado, aumento nominal de 77%.

Bola furada

A nova Lei Pelé, remendada pelo Congresso, descarta a conversão obrigatória dos clubes de futebol em empresas.

Alegação

A profissionalização da cartolagem decretaria o fechamento de aproximadamente 400 clubes em todo o País.


Jornal do Commercio
Recife - 23.06.2000
Sexta-feira