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ENTREVISTA/ Roberto Magalhães
“Só se eu fosse idiota para não inaugurar”

Embora admita estar intensificando o ritmo das inaugurações por conta do prazo da Justiça Eleitoral – proíbe inaugurações durante a campanha –, Roberto Magalhães nega tirar proveito político das solenidades. Nas entrelinhas, porém, deixa claro que as inaugurações deverão lhe trazer bons frutos nas urnas. “Quem é que quer deixar uma obra desta sem inaugurar? Só se eu fosse idiota, um imbecil”, disse, apontando para a ponte Joaquim Cardozo. Irritado com a Imprensa, o prefeito não confirmou ontem se irá se afastar do cargo para se dedicar exclusivamente à campanha, como havia anunciado anteriormente.

JORNAL DO COMMERCIO – O senhor nega que um evento desse porte, com a participação de tantos líderes políticos, tenha cunho eleitoreiro. Mas o próprio deputado Inocêncio Oliveira, em seu discurso, chegou a pedir votos para o senhor...
ROBERTO MAGALHÃES –
É um ato individual dele. Eu estou fazendo inauguração legal. Agora, não vou censurar ninguém. Alí a tribuna é livre. O ato é inaugural, eu não falei em eleição nenhuma, conseqüentemente não há críticas. A Imprensa nunca foi às minhas inaugurações. Só agora que eu sou candidato está aparecendo.

JC – Mas prefeito, nunca houve tanta pompa como vem acontecendo agora. O próprio governador Jarbas Vasconcelos não lhe acompanhava nas inaugurações no início de seu Governo...
Magalhães
– Todas as minha inaugurações foram com muita pompa. O governador nem falou. Se ele não tivesse vindo seria uma grosseria porque tem um ministro de Estado aqui e ele é o anfitrião.

JC – Independentemente das inaugurações serem eleitoreiras ou não, o senhor tem intensificando algumas obras por conta da candidatura.
Magalhães
– Estou intensificando porque tenho prazo. Quem é que quer deixar uma obra desta sem inaugurar? (apontando com o dedo para a ponte Joaquim Cardozo). Só se eu fosse idiota, um imbecil. Então você faz uma obra de R$ 20 milhões e não inaugura? Porque vocês, jornalistas, acham que é eleitoreira... Se dependesse de vocês eu não seria nem vereador.

JC – Quando é que o senhor vai se desincompatibilizar das funções de prefeito para se dedicar só à campanha da reeleição?
Magalhães
– Quando eu quiser.

JC – O senhor não tinha dito que se afastaria em julho?
Magalhães
– Me afasto quando quiser. Eu aviso a vocês.

JC – Mas doutor Roberto, é inevitável que uma inauguração desse porte beneficie diretamente sua campanha.
Magalhães
– Doutor Jarbas não falou e eu não falei em eleição. Até porque, uma obra como esta é mais importante do que a minha reeleição. Para mim é muito mais importante encerrar esta obra do que me reeleger. Eu não gosto de política não. Eu gosto é de poder. O poder é criação de Deus e a política é criação do diabo.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.06.2000
Sexta-feira