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A bomba sonora de Lula Queiroga No dia 10 de janeiro, o cantor e compositor Lula Queiroga pôs em práticas uma decisão que para alguns amigos parecia uma maluquice: resolveu começar do zero o novo disco que marcará em definitivo o relançamento de sua carreira, iniciada em parceria com Lenine, no LP Baque Solto. O estranhamento aconteceu porque ele já estava quase terminando de gravar um álbum, no estúdio da sua produtora de TV, Luni. Depois de ouvir e reouvir o material quase pronto e testado em shows, achou que, com o tempo, tudo o que tinha feito estava defasado e até mesmo batido, já mastigado por outros artistas e parceiros. Menos de seis meses depois daquele dia, Lula Queiroga está ansioso e feliz com o resultado de Aboiando a Vaca Mecânica (título quase definitivo, tirado de uma música de Pedro Osmar), seu tão sonhado CD, produzido em parceria com Felipe Falcão. Faltam apenas detalhes em algumas faixas. Incrementar uns loops e efeitos aqui. Regravar umas vozes acolá. Arredondar uma última parceria, feita às pressas com Lenine. Na tarde da terça-feira, Lula Queiroga mostrou as 14 incríveis músicas do CD. É, desde já, um dos melhores discos do ano. Pense num detalhe: a concepção, por exemplo. É perfeita. Tem aboio, coco, sambinha de levada bossa-novística, xote, rock, jovem guarda com direito ao famoso xacundum de guitarra, rap. Nenhuma das faixas tem arranjo linear, previsível. Os temas: tem árido-movie, canções românticas, versos irados, histórias violentas, tudo sem ser excessivo, panfletário. Não se engane. O disco é uma bomba sonora, pronta para explodir e sacudir corpos e mentes sãs. Interessante notar também a simbiose que existe entre Lula e Lenine. De certa forma, Aboio da Vaca Mecânica leva mais além o conceito musical que Lenine mandou ver em O Dia em Que Faremos Contato. Dando os vários tons nos aboios, estão o pandeiro de Véio Mangaba, o teclado de Tovinho, uma receita culinária de Luiz Paixão (mestre de Siba Veloso), o assovio de André Rio, as vozes de Nina Miranda, Nena Queiroga, os duetos com o concunhado Silvério, com o velho parceiro Lenine e o novo parceiro Pedro Luís, as guitarras de Fabinho Trummer, Lulu Oliveira e Lúcio Maia, o rap policial de Canibal, a declamação de Arnaldo Antunes, a sanfona de Silveirinha, o trumpete de Spyder, o sopro jazzístico de Zé da Flauta, entre outras participações. Aula de blues O guitarrista e vocalista Lancaster, o melhor guitarrista do estilo Chicago Blues do País, na atualidade, estará realizando um workshop no Recife, na quarta-feira, na Toca Instrumentos Musicais (informações pelo fone 325-3429). Lancaster é formado pela conceituada Musicians Institute, de Los Angeles, e tocará no projeto de blues da Uptown Band no Biruta (dia 29), Uruguay Club (30) e no Downtown Pub (1/7). CD-Rom do Faces A segunda tiragem do segundo disco do Faces do Subúrbio, Como É Triste de Olhar, deve ter como bônus um CD-Rom com depoimentos da banda e de convidados, trechos de shows e outras novidades. No início do próximo mês a galera do Alto José do Pinho fecha os detalhes com a MZA, que tem de melhorar a distribuição. Correspondência: Rua Major Armando de Souza Melo, 116, nº 402. Setúbal - Recife - PE. CEP 51.130-040 |
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