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MERCADO
Empetur de olho no mercado português

Os nove vôos semanais que ligam Lisboa ao Recife já não são suficientes para atender a demanda de turistas portugueses que têm cada vez mais procurado Pernambuco tanto como destino de lazer quanto de negócios. Essa foi a reclamação ouvida por Frederico Loyo, presidente da Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur), em visita recente à Portugal. Operadores lusitanos queixam-se da impossibilidade de ampliar seus roteiros, por conta do estrangulamento da malha aérea, que hoje encontra-se completamente saturada, com vôos sempre lotados.

De acordo com Loyo, a principal providência tomada no sentido de comportar o número crescente de passageiros foi o contato com a companhia portuguesa TAP, acionada para avaliar a possibilidade de, em curto prazo, expandir a quantidade de vôos regulares para o Recife.

“Estamos negociando para que a empresa supra a necessidade apresentada pelos agentes ou permita a realização de vôos charter de Lisboa para cá, os quais ainda são proibidos em virtude de uma reserva de mercado feita pela TAP devido à rentabilidade de suas rotas para o Nordeste brasileiro”, revela. Loyo acrescenta que a Transbrasil, companhia que também opera nesta linha, alega não ter disponibilidade de aeronaves para aumentar a malha ainda este ano.

O resultado das negociações só deve sair no final de julho, quando o acordo Brasil-Portugal em relação a vôos comerciais será revisto. “Se a malha aérea não for ampliada, corremos o risco de perder os visitantes para outros destinos”, pondera Loyo, lembrando que não são poucos os turistas que começam a vir para cá através de São Paulo, gastando, em vez de apenas sete, vinte horas de viagem. “Esse é um fator negativo para o conforto do visitante, que pode optar simplesmente por ficar no meio do caminho”, afirma.

Enquanto a questão dos vôos não é resolvida, a Empetur, junto com o trade turístico do Estado e as companhias aéreas que aqui operam, estão estabelecendo parcerias no intuito de divulgar ainda mais os atrativos locais em terras lusitanas e garantir a continuidade da demanda. Para o segundo semestre de 2000 está prevista a realização de um workshop na cidade de Curia para cerca de 150 agentes de viagem, bem como a vinda de um grupo de 500 universitários durante a Semana da Independência, num programa denominado 500 anos, 500 jovens.

O interesse no mercado português, além de ter como base a identidade cultural e a proximidade, explica-se por sua representatividade, uma vez que ele responde por quase 50% do total de visitantes estrangeiros que desembarcam em Pernambuco anualmente. Viajando principalmente entre os meses de março e outubro, os portugueses movimentam o período da baixa temporada brasileira, passando de sete a 14 dias no Estado, com gastos diários de até US$ 112.

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Jornal do Commercio
Recife - 22.06.2000
Quinta-feira