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BELO HORIZONTE
Uma capital com jeito de cidade do interior

por Mona Lisa Dourado

Prepare o folêgo. Entre subidas e descidas de ladeiras, próprias de uma cidade a 858 metros de altitude, Belo Horizonte (ou apenas BH) encanta pela mistura de tradição e modernidade exibida em cada rua, praça, museu ou igreja. BH, que, no início de sua história servia apenas como ponto de passagem de bandeirantes em busca de ouro e pedras preciosas, nasceu junto à Serra do Curral, sendo, em 1897, a primeira cidade projetada do País.

Um passeio pelas avenidas largas, limpas e arborizadas de Belô (como também costuma ser chamada) revela traços de sua trajetória de 102 anos de idade, impressos principalmente no seu perfil arquitetônico, marcado por diferentes estilos.

A Praça da Liberdade é o melhor exemplo desse ecletismo. Nos prédios das repartiçõs públicas estaduais convivem, harmoniosamente, elementos neoclássicos da década de 20 (presentes no Palácio do Governo), o art déco com revestimento de pó de pedra do Palácio Cristo Rei, o modernismo do Residencial Niemeyer e, até, o pós-modernismo da construção apelidada de ‘rainha da sucata’, onde fica o Centro Turístico Tancredo Neves.

Mas nem só de uma bela arquitetura é feita a Praça da Liberdade. Canteiros de flores coloridas, alamedas de palmeiras centenárias, fontes luminosas e um gracioso coreto atraem crianças, adultos e casais, fazendo da praça um dos agradáveis pontos de encontro da capital mineira.

Não muito longe dali, está a Igreja da Boa Viagem, padroeira de Belô, cuja história se confunde com a da cidade. No local onde hoje está a catedral neogótica, com grandes vitrais e altar-mor trabalhado em mármore de carrara, no início do século 18 existia uma capela de pau-a-pique, onde paravam os viajantes para receber a ‘oração de boa viagem’.

Unindo arte, diversão e beleza, do outro lado de BH está o seu mais famoso cartão-postal. Idealizado pelo visionário Juscelino Kubistcheck, nos anos 40, o conjunto arquitetônico da Pampulha (formado pela Igreja de São Francisco de Assis, o Museu de Arte, a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube) é assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e caracteriza-se por suas formas arrendodadas e traços arrojados. Localizadas às margens da lagoa artificial, as construções têm nos painéis de Portinari, no paisagismo de Burle Marx e nas esculturas de Ceschiatti, Zamoiski e José Pedrosa uma valiosa contribuição.

Quem visita Belô não pode deixar de conhecer, ainda, o charmoso bairro das Mangabeiras. É lá que está a Praça do Papa, cujo monumento central foi erguido em homenagem a João Paulo II quando da sua visita à cidade, e a Praça do Mirante, de onde se tem, principalmente à tardinha, uma das mais bonitas vistas de Belo Horizonte. No bairro também fica a Rua do Amendoim, conhecida pelo folclore em torno de um fenômeno que passa a impressão de que carros desligados sobem, sozinhos, uma ladeira.

Apesar de ser a terceira maior cidade do País, com 2,1 milhões de habitantes, BH exibe uma paisagem urbana de fazer inveja aos habitantes de qualquer outra metrópole. Com a autoridade de quem já foi considerada a capital brasileira de melhor qualidade de vida, o 45° melhor lugar do mundo para se viver e cidade modelo em área ambiental no Brasil, Belô conta com 32 metros quadrados de área verde por habitante. A cidade também se diferencia das demais capitais pelo certo ar interiorano que conserva, observado não só no clima e no aspecto da cidade, como na simpatia de seu povo.

* A repórter viajou a convite da Luck Viagens, Vasp, Localiza e Accor

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Jornal do Commercio
Recife - 22.06.2000
Quinta-feira