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ARTES PLÁSTICAS
Falabella não cansa de contar sua paixão por Pernambuco

por Eduardo Albuquerque

O público que foi assistir à peça Querido Mundo, na última sexta-feira, teve a possibilidade de estar na mesma platéia que o autor do texto do espetáculo. Quem esteve no Teatro Apolo naquela sessão pôde presenciar, principalmente em se tratando da obra de um não-pernambucano, um momento cada vez mais raro no teatro local: o criador frente a frente com suas criaturas. Ainda mais quando o criador de quem falamos é o ator, diretor e apresentador Miguel Falabella.

Homem de mil projetos, desdobrando-se entre televisão, teatro e cinema, ele encontrou tempo em sua apertada agenda para prestigiar a produção pernambucana. “Eu não podia deixar de assistir a esta montagem. A presença de atores tão fantásticos como Marilena Breda e Carlos Lira apenas engrandece a minha obra”, revelou Falabella em entrevista ao Jornal do Commércio.

Assistir às montagens de seus textos feitas por outros diretores, com atores locais, parece fazer parte de sua trajetória teatral. “Sempre que posso vou ver os espetáculos prduzidos nos mais diversos lugares. A Partilha, por exemplo, foi montada em mais de 12 países da Europa e América Latina. Assisti a todos”, afirma, destacando uma de suas peças de maior sucesso.

ORGULHO – Esta vontade de ver seus escritos ditos por diferentes sotaques, outras línguas, desperta muito mais que um simples prazer de ver seu trabalho reconhecido, ou mesmo do sucesso que o fato pode representar. Segundo Falabella: “acima de tudo, sinto orgulho em saber que uma peça como Querido Mundo, escrita em 1993, pode tocar, no ano 2000, o coração do público. Principalmente sendo este público o recifense”.

O autor, aliás, não se cansa de agradecer o acolhimento que tem recebido da classe artística e platéia pernambucanas. Chega a afirmar que cada vez que vem ao Estado se sente mais brasileiro. “Em Pernambuco, posso sentir o Brasil verdadeiro. A gente tem que acabar com essa mania de achar que só o que vem de fora é bom. Uma terra que tem Brennand, Ariano Suassuna, tem que, também, dar valor ao que é seu. Por isso que aqui eu me sinto em casa”, confirma.

Sentir-se em casa é uma necessidade quase instintiva para a concretização de seus planos artísticos. Trabalhando sempre com quem gosta, Falabella procura transformar seus parceiros em uma grande família: “Para mim, a arte teatral não é só feita no palco, mas, principalmente, nas coxias”.

PROJETOS – Querido Mundo, inclusive, é seu primeiro texto montado em terras nordestinas. O que provocou um desejo ainda maior de estar na estréia do espetáculo do Apolo, fato não concretizado anteriormente em virtude dos ensaios de seu novo trabalho como ator, a montagem teatral de O Beijo da Mulher Aranha. “Vai ser um musical dirigido por Wolf Maia. No elenco estão Claudia Raia e o Tuca Andrada, por exemplo. Devemos estrear em outubro”, diz.

Outro projeto que vem tomando cada minuto do tempo de Miguel Falabella é a produção de seu primeiro filme como roteirista e diretor: Polaróides Urbanas. O longa será uma adaptação de sua peça Como Encher um Biquíni Selvagem, sucesso retumbante interpretado pela atriz Claudia Gimenez. Com a distribuição da Columbia Pictures, a película terá no elenco nomes como Arlete Salles, Natália do Vale, Zezé Mota, além da própria Gimenez. “Passei quase três anos tentando viabilizar este filme. Agora que consegui o apoio de uma grande produtora internacional, não vejo a hora de começar”, explica, revelando a nova menina de seus enormes olhos azuis.

Apesar de sua alegria por estar de volta ao solo pernambucano, Miguel Falabella aterrissou no Recife para comunicar, ainda, o seu afastamento da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém. No próximo ano, por causa da agenda apertada, um dos nomes mais importantes desta nova fase do espetáculo não poderá viver o Herodes. “Estou muito triste por ficar de fora da Paixão no ano que vem. Vim dizer isto pessoalmente a minha amiga Diva Pacheco, a quem considero como uma segunda mãe”, confidencia, manifestando sua admiração por uma das produtoras de Fazenda Nova.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.08.2000
Quarta-feira