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MEMÓRIA
TV pernambucana perde um pioneiro

Na noite da última segunda-feira, às 19h30, faleceu o radialista e produtor de televisão Alberto Lopes, aos 75 anos. Um dos fundadores da TV Jornal, e um dos nomes mais importantes do rádio pernambucano, Lopes recuperava-se de uma cirurgia para a colocação de duas pontes de safena e anteontem sofreu três paradas cardíacas. Seu corpo foi sepultado ontem, às 15h30, no Parque das Flores.

Famoso pelos trabalhos em radioteatro, Alberto Lopes chegou a produzir diversos programas na Rádio Jornal, nos anos 50. Entre os mais conhecidos está a novela Amor de Colegial, escrita pelo radialista e dirigida pelo amigo e companheiro de trabalho Aldemar Paiva. “Fizemos coisas lindas no rádio. Alberto era um grande amigo e escrevia muito bem. Também atuava, como no programa Banco de Réus, em que ele interpretava o promotor”, relembra Paiva. Além dos programas no rádio, eles trabalharam juntos no núcleo artístico do Colégio Santa Maria, organizando as atividades da instituição de ensino.

Outro colega de profissão, o também radialista Hugo Martins, destaca o lado comediante de Alberto Lopes. “Um dos programas cômicos de maior sucesso nos anos 50 era Tancredo e Trancado, que Alberto fazia juntamente com Geraldo Lopes. O script vinha da Rádio Nacional e aqui eles adaptavam o texto que ia ao ar”, conta. Outra recordação de Hugo Martins é a radionovela O Homem de Nossas Vidas, gravada em 1990, e último trabalho do produtor em rádio. “Este trabalho reuniu alguns dos grandes nomes do radioteatro local. Foi uma espécie de ‘revival’ para os profissionais que trabalharam na era de ouro do rádio. Alberto interpretou Jesus Cristo, personagem principal”, diz Martins.

Durante os tempos do rádio, Alberto Lopes se destacou também como produtor, função que continuou desempenhando posteriormente, com a inauguração da TV Jornal, nos anos 60, especialmente no programa Noite de Black Tie.

“Não cheguei a trabalhar diretamente com Alberto, mas posso dizer que éramos conteporâneos. Ele foi um dos pioneiros na produção de programas, ao lado de Geraldo Lopes, que também já faleceu. Posso inclusive dizer que integrei a geração que herdou o estilo dessa escola de 50. Alberto era um criador de scripts, as histórias nasciam na cabeça dele e depois entravam no ar”, declara o ator e pesquisador Renato Phaelante. Outro traço marcante do radialista era a voz. “Ele tinha uma voz inconfundível e vivia galãs, como o Jerônimo, o Herói do Sertão”.

O publicitário Carol Fernandes guarda na memória o bom humor como uma das características principais do colega de trabalho. “Estava na TV Jornal na mesma época que ele. Nunca via Alberto de cara feia, ele estava sempre de bem com a vida. Era de um bom humor impressionante, além de ser muito competente”, revela.

Além das atividades no rádio e na televisão, onde chegou a ocupar o cargo de diretor, Alberto Lopes era escritor.

“Trabalhamos na TV Jornal na mesma época, mas juntos poucas vezes. Uma vez ele me convidou para participar de um programa de variedades chamado de Caleidoscópio”, acrescenta o apresentador Fernando Castelão.

Sobre a personalidade do produtor, Castelão diz que era muito calmo, inclusive no trabalho. “Ele também era irônico, que é o traço das pessoas inteligentes, e perfeccionista. Alberto sempre tinha idéias muito boas que adaptava para os programas. E gostava também de viajar, que é uma maneira muito concreta de se ilustrar a alma”.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.08.2000
Quarta-feira