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REUNIÃO
Grupo acompanhará instalação de centro

A polêmica em torno de um reator nuclear que poderá ser implantado em 2005 levou o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) a criar, ontem, um grupo para acompanhar a instalação do Centro Regional de Ciências Nucleares no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O empreendimento, que está em fase de licitação, produzirá radiofármacos para hospitais das regiões Norte e Nordeste. As substâncias servem para o tratamento e diagnóstico de doenças, a exemplo do câncer.

O projeto do centro foi apresentado a 25 dos 39 integrantes do Consema que se reuniram no Centro de Convenções. O diretor de radioproteção da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Ayrton Caubit, disse que o reator está previsto para uma segunda etapa da obra e poderá ser implantado em outro local. “Caso os estudos de impacto apontem que o campus da UFPE não é adequado, trabalharemos com quatro áreas da Região Metropolitana Recife indicadas pelo Governo do Estado”, disse.

Para o diretor, a UFPE até agora é o melhor local, porque permitirá a interação entre pesquisadores. “A proximidade com o pólo médico do Recife também é importante”, explica. Segundo Caubit, alguns radioisótopos têm meia-vida (tempo para que o número de átomos radiativos seja reduzido à metade) curta. “O flúor tem meia vida de apenas duas horas”, exemplifica.

A cooperação entre o centro e os cientistas da UFPE, no entanto, foi questionada pelo representante da comunidade científica no Consema, Ricardo Braga. Segundo ele, pesquisadores dos departamentos de Física e Energia Nuclear têm reclamado da falta de interação. O superintendente do centro, Roberto Salvi, discorda. “Há muitos projetos de pesquisa em andamento nas instalações provisórias do centro, no Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dons)”, alegou.

ACIDENTES – O reator nuclear que será instalado em Pernambuco se destina à pesquisa e tem uma potência de 20 megawatts, cerca de 70 vezes inferior à da usina nuclear Angra 2, no Rio de Janeiro, construído para produzir energia elétrica. Sobre a possibilidade de um risco de acidente aéreo envolvendo o reator, Ayrton Caubit disse que as chances são remotas. “Mesmo assim serão levadas em conta na hora de decidir qual o local adequado para o reator”.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.08.2000
Quarta-feira