LG_jc.gif (3670 bytes)

CONTAS PÚBLICAS
Greve de servidor é decretada ilegal

A greve dos servidores estaduais iniciada ontem foi considerada ilegal pelo juiz José Nunes Siqueira, da 4ª Vara da Fazenda Estadual. Os sindicatos que compõem o Fórum da Central Única dos Trabalhadores (CUT) começaram um movimento de 48 horas, mas o juiz determinou que os grevistas voltassem ao trabalho imediatamente, sob pena de pagarem uma multa diária de R$ 90 mil em caso de desobediência. Essa já é a segunda vez no ano que o Governo do Estado recorre a uma medida judicial para desarticular a mobilização dos funcionários públicos. No entanto, dessa vez, a greve deverá continuar.

De acordo com o secretário-geral da CUT em Pernambuco, Horácio Reis, a paralisação prosseguirá hoje, conforme o previsto, até que os servidores sejam notificados oficialmente sobre a decisão do juiz Siqueira. Até o fechamento desta edição, os sindicatos ainda não tinham sido informados oficialmente sobre o assunto. A categoria estará se reunindo, às 9h, na Secretaria da Fazenda. Depois, os servidores pretendem seguir em passeata até o Palácio do Governo.

Os funcionários públicos do Estado reivindicam reposição salarial, redução do desconto do vale-transporte de 6% para 3%, volta do tíquete-alimentação para toda a categoria e a quitação dos passivos do Estado, calculados em R$ 140 milhões. Esse valor corresponde ao não pagamento de benefícios, ao não cumprimento do Plano de Cargos e Carreiras dos funcionários da Educação e à majoração da contribuição previdenciária.

A medida judicial notifica nove sindicatos e uma associação. Nesse caso, estão envolvidos os sindicatos dos Fazendários (Sindifisco), dos Servidores da Educação (Sintepe), dos Servidores das fundações, autarquias e diretas (Sindserpe), dos Trabalhadores em Agricultura e Meio Ambiente (Sintape), sindicato dos Médicos (Simepe), dos Trabalhadores em Saúde (Sindsaúde), dos Policiais Civis (Sinpol), dos Servidores da UPE (Sinsurpe), dos Trabalhadores em Empresas de Processamento de Dados (Sindpd) e a seção dos docentes da UPE.

De acordo com o secretário de Administração e Reforma do Estado, Maurício Romão, “a greve não condiz com o convívio democrático porque os servidores já sabiam das dificuldades do Governo em relação às finanças”. O secretário também informou que serão cortados os pontos dos servidores que aderiram ao movimento. De acordo com Horácio Reis, com essa medida, o Governo do Estado estará assumindo o ônus de prejudicar a população porque, caso haja esse desconto, não haverá reposição das aulas, por exemplo.

Para Romão, o movimento da categoria foi fraco. Mas para os sindicatos, houve uma adesão de 70%, com expectativa de que esse percentual seja intensificado hoje. Os servidores também realizarão assembléias para discutir uma próxima paralisação.

_____________________-___________________


Jornal do Commercio
Recife - 23.08.2000
Quarta-feira