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Maxime está de roupa nova mas precisa corrigir receita da peixada por Flávia de Gusmão O Maxime mudou. Não de endereço ou de cardápio, mas, basicamente, de roupa. Era isso ou arriscar-se a sucumbir diante da modernidade, principalmente ali, na Avenida Boa Viagem, o chamado cartão postal da cidade. Foi uma excelente providência. Por mais romântico que fosse seu clima praieiro e decadente, O Maxime estava afastando uma nova clientela e segurando uns poucos habituês que preferiam a tradição ao conforto. Quem freqüentasse o Maxime de antes, por exemplo, era continuamente importunado nas mesas por ambulantes que vendiam óculos, perfumes e relógios, legitimamente falsiês. A privacidade é sempre uma aquisição louvável. Mesmo assim, o isolamento com mundo exterior não se fez por completo, o que também pode ser encarado como ponto positivo, exceto em dias de muito calor. As vidraças protegem o ambiente interno, mas permitem uma boa ventilação (embora o mesmo não possa ser garantido depois do trio peixada, pirão e caninha). A matéria-prima utilizada pelo Maxime indica boa procedência e, principalmente, frescor. Mas, a receita da peixada precisa ser revista com urgência, sob pena de fazer os velhos livros de culinária pernambucana terem de ser reescritos. Onde já se viu peixada com molho de tomate e, ainda por cima, com caldo engrossado artificialmente? Não dá. A peixada é prima-irmã de todos os cozidos praieiros, da bouillabasse à mariscada, e apressá-la ou desvirtuá-la é crime contra a preservação da tradição e do paladar. Seu segredo é deixar o peixe cozinhar no seu tempo certo (os de carne mais firme mais tempo ou vice-versa), permitindo que ele libere o seu sabor para os legumes que o acompanham. Tempero básico e só. Molho de tomate e dendê, neste caso, é pura baianice. O Maxime sabe fazer melhor. Maxime Av. Boa Viagem, 21, Pina, fone: 326.5314. Aceita cartões |
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