LG_jc.gif (3670 bytes)

TRAGÉDIA NO MAR
PUTIN TENTA ALIVIAR REVOLTA RUSSA

MOSCOU – O presidente Vladimir Putin voou ontem para uma base naval do Ártico a fim de prestar homenagem aos 118 marinheiros mortos num acidente com um submarino nuclear e consolar as famílias deles, mas o gesto não serviu para aliviar a profunda dor e a revolta da nação com os atrapalhados esforços de resgate.

Antigos tripulantes de submarinos soluçavam nas ruas enquanto toda Rússia lamentava com impressionante abertura a perda do Kursk, que sofreu uma forte explosão e afundou no Mar de Barents em 12 de agosto.
Velas foram acesas em igrejas ortodoxas russas, e pêsames chegavam de todas as partes do mundo.

Putin, vestido todo de preto, foi recebido em Murmansk por exaustos e melancólicos oficiais da Marinha, e então visitou uma área próxima onde 400 familiares dos marinheiros estão abrigados. As famílias quase não receberam informações oficiais sobre as operações de socorro, apoiando-se nas televisões para ficar sabendo das notícias mais básicas – incluindo o anúncio na segunda-feira de que seus filhos e maridos estavam mortos.

Hoje, Vladimir Putin deve ir até o navio que liderou os esforços de resgate e lançar flores no mar onde os marinheiros continuam presos dentro do avariado submarino, a 108 metros de profundidade.

Arrasados, familiares exigiram ser levados também para o local. A Marinha estava considerando o pedido. Emma Yevdokimova, cujo filho, Oleg, era cozinheiro no Kursk, chorava copiosamente, enquanto lembrava como o filho havia ajudado a preparar a ceia de Ano Novo. “Quando o chamaram para servir no Kursk, ele ficou tão contente”, disse Emma. “Ele era tão bom. Ele ainda é”, afirmou ela, se derramando em lágrimas enquanto acrescentava, “eu ainda não acredito que ele se afogou”.

Russos criticam Putin por ter levado tempo demais para demonstrar preocupação com a tripulação, e por seu Governo ter resistido em aceitar ajuda internacional. Depois de dias de fracassadas tentativas por parte de cápsulas de resgate russas para alcançar o submarino, foram mergulhadores noruegueses que chegaram uma semana depois do desastre, que conseguiram abrir uma escotilha na segunda-feira para constatar que não havia sobreviventes.

O mundo inteiro acompanhou angustiado a semana de operações de resgate, e compartilhou da dor dos russos. Marinheiros e equipes de resgate britânicos que vieram ajudar na operação, mas que acabaram não sendo acionados, promoveram uma breve homenagem fúnebre, jogando um pequeno buquê de flores ao mar, enquanto deixavam o local da tragédia.

Os mergulhadores noruegueses partiram da região na tarde de ontem.

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 23.08.2000
Quarta-feira