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TRAGÉDIA NO MAR II Os efeitos da glasnost, ou a transparência na Rússia por Luc Perrot MOSCOU Apesar das críticas lançadas contra as autoridades russas, a catástrofe do submarino Kursk mostra que a Rússia rompeu em grande parte as práticas correntes na outrora URSS, onde uma catástrofe semelhante seria cuidadosamente ocultada e a ajuda ocidental descartada categoricamente. A medida que passavam os dias, conhecida a tragédia do submarino nuclear Kursk, que fora orgulho da frota nuclear russa, encalhado a 108 metros de profundidade no Mar de Barents, com 118 tripulantes a bordo, os analistas russos e internacionais condenavam de forma unânime os reflexos soviéticos dos líderes russos. O escritor Vassili Axionov, autoridade moral na Rússia por ter incentivado, anteriormente, a dissidência literária em Moscou, foi a voz dessas críticas. Denunciou a gigantesca mania de se fazer segredo, os restos de uma mentalidade herdada da Guerra Fria como responsáveis pela morte dos 118 marinheiros do submarino. A maioria dos russos tem essa mesma opinião, traumatizados por uma tragédia que manteve o país em suspense por uma semana, num assunto que recebia o espaço completo dos telediários. Apenas o fato de que a catástrofe tenha sido anunciada pelos militares russos, que estes a tenham admitido pela televisão, e que finalmente tenham recorrido a ajuda ocidental demonstra, no entanto, que certas práticas comuns na era soviética, já não existem mais. Há 15 anos, se houvesse uma catástrofe semelhante, ninguém teria sabido de nada ou, no máximo, teriam anunciado problemas técnicos, três mortos e dois feridos, confirmou Viatcheslav Kuroiedov, ex-coronel do Exército Vermelho, que fez toda sua carreira sob o regime soviético. |
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