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JC NEGÓCIOS
Fernando Castilho

"Os países desenvolvidos criam barreiras travestidas de ações que limitam o acesso de nossos produtos ao mercado mundial"


CARLOS EDUARDO MOREIRA FERREIRA
Presidente da Confederação Nacional da Indústria.

O país do crediário

O brasileiro está voltando a se endividar. Isso mesmo.Voltando a usar a sua ficha cadastral para comprar fiado, decolar uma grana no banco ou na financeira ou, simplesmente, sair do cheque especial numa negociação do gerente trocando o débito da conta por um contrato de financiamento do crédito pessoal.

Pelas contas do Banco Central divulgadas ontem, o volume de dinheiro emprestado a pessoas físicas cresceu 2,1% de maio para junho, e bateu nos R$ 49,1 bilhões. Ou seja, o cliente velho de guerra fechou negócio de quase R$ 50 bilhões em apenas um mês. No ultimo mês do primeiro semestre.

E por que diabos o brasileiro está se endividando tanto? Ou com tanta força? Pelo que diz o relatório do Banco Central, este crescimento nos financiamentos foi para a compra de bens de alto valor, especialmente de automóveis. Tradução: o brasileiro está trocando de carro mesmo.

Gente que é do ramo, e opera por aqui, explica que no caso do carro novo este número se deve ao esforço dos bancos das montadoras que abriram grandes frentes de ofertas para que as fábricas desovassem o que fosse possível torrando o estoque, vendendo direto da fábrica pela TV. E aceitando tanto o financiamento do carro novo como o do usado dado para a compra do novo.

No caso do crédito pessoal o banco está simplesmente retomando os negócios de financiamento do crédito pessoal mesmo. Uma parte limpando a ficha do correntista no Cheque Especial substituindo por um financiamento no crédito pessoal com taxas de no máximo 6% ao mês.

E o comércio? O comércio está entrando nesta conta com o aumento de vendas pelo crédito direto ao consumidor. Primeiro aumentando o prazo de três para seis meses. Depois de seis para doze meses e agora no mês de agosto falando em inimagináveis 24 meses. Tudo como conseqüência do otimismo que está presente hoje na economia e que aposta num 2000 em crescimento. O que com financiamento acaba ficando mais fácil. Ainda bem.

Cachaça da Argentina

Os desentendimentos do Brasil e Argentina por conta das barreiras comerciais aos automóveis e carne de frango vão ganhar um aperitivo de alto teor alcoólico. É que a Argentina começou a exportar destilados de vários produtos com o nome de “cachaça”, expressão que o Brasil trabalha em nível mundial para designar a nossa aguardente de cana-de-açúcar. O Brasil está pedindo à União Européia a exclusividade do nome “cachaça” para a aguardente brasileira.

Consórcio de peso

Não ficará restrita à duplicação da BR-232 a ação sob a forma de consórcio da maior construtora do Brasil (Norberto Odebrecht) com a maior construtora do Nordeste (Queiroz Galvão). As duas estão num novo consórcio para disputar a obra do Aeroporto Internacional dos Guararapes que, aliás, está entre as quatro empresas habilitadas à licitação.

Agora é o trigo

Como os acordos do Mercosul impedem que o Governo brasileiro possa pensar em tabelamento, agora todas as vezes que um produto básico subir o Ministério da Fazenda se agita. Semana passada, o Governo se agitou por conta do preço do açúcar. Agora, chegou a vez do trigo cuja quebra de safra foi de 62% com projeção de aumento de 30%.

Computador fiado a R$ 80 por mês

Os bancos privados brasileiros vão entrar, pesado, na venda de microcomputadores a seus clientes. Itaú e Bradesco estão desenvolvendo parcerias para oferecer modelos a R$ 80 por mês, com acesso direto à Internet, em até 36 vezes.

Antecipação

O superintendente da Sudene Wagner Bittencourt antecipou, ontem, numa conversa com empresários durante o I Seminário de Desenvolvimento de Sergipe, as principais linhas da Medida Provisória que o presidente Fernando Henrique Cardoso assina hoje reformando o Finor, em que as debêntures voltam a ser 100% conversíveis em ações das companhias. Além das modificações na linha de isenção do Imposto de Renda das empresas incentivadas.

Centralização

O Porto do Recife começou a construir, esta semana, um novo pórtico de concreto armado na entrada da sua área portuária central com o objetivo de centralizar todas as ações da Receita estadual, federal e a guarda daquela instituição. Segundo a diretora de operações da estatal, Mona Holanda, o empreendimento junta numa parceria o Governo do Estado que entrou com R$ 112 mil e o Porto do Recife que bancou um aporte de capital de R$ 450 mil.

Começam, hoje, as aulas do novo curso do Programa de Desenvolvimento de Gestão Empresarial do Cedepe.

O Grupo Margolis que controla a rede de lojas Game Station está chegando a São Paulo. Será uma das âncoras do novo Shopping Center da cidade de Taboão da Serra.

Começa dia 31 a campanha Troque o óleo e vista esta camisa, em 70 postos Shell no Grande Recife, onde ao trocar o óleo do carro e mais R$ 9,90, o cliente compra uma camisa exclusiva da escuderia italiana Ferrari, autografada por Rubens Barrichello.

De 1º a 8 de setembro no Hotel Bitingui, em Maragogi, 23 consultores de Recursos Humanos selecionados pela Valença e Associados serão os primeiros profissionais de língua portuguesa a dominar o Sistema Symlog, o mais usado no mundo em psicologia aplicada ao ambiente de trabalho e rodado em 45 países por mais de 200 multinacionais.

A Revista Vencer, projeto da Editora Intermundi e dedicada ao segmento de carreiras profissionais, traz este mês como matéria de capa uma avaliação sobre a qualidade de vida do profissional em posto de comando.

E-mail: castilho@jc.com.br


Jornal do Commercio
Recife - 23.08.2000
Terça-feira