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Regina Pitoscia

Mercado aposta que o BC cortará juro

O mercado financeiro trabalhou em clima relativamente mais calmo, ontem, pela melhora de expectativa em relação à Argentina. A Bolsa de São Paulo atravessou de ponta a ponta o pregão em alta e fechou com uma valorização de 0,83%. Embora discreta, foi suficiente para que a Bolsa paulista voltasse a rodar com uma ligeira valorização de 0,78%, na acumulada do ano.

Outros segmentos de mercado também refletiram a melhora de expectativa em relação à Argentina, dada a percepção de que caminham bem os entendimentos do país vizinho com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para a negociação de novas metas fiscais. A emissão bem-sucedida de títulos no mercado japonês, para a captação de US$ 567 milhões, também repercutiu positivamente, pois sugere confiança do investidor estrangeiro na política econômica argentina.

O mercado doméstico reagiu com desvalorização do dólar e declínio dos juros projetados pelos contratos futuros, que estariam refletindo a aposta no corte do juro básico interno na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que começou ontem e termina hoje. A decisão do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) de manter o juro básico norte-americano em 6,5% ao ano, na reunião de ontem, não surpreendeu, porque seguiu a previsão geral dos investidores.

A expectativa no mercado interno sobre a tendência da taxa básica doméstica está dividida. De forma geral, predomina a idéia de que o Banco Central mantenha a taxa de juros primária em 16,5% ao ano e, quando muito, adote o viés (tendência) de baixa. Outra ala, embora menos numerosa, acredita que a percepção de melhora da Argentina e a estabilidade dos juros nos EUA podem encorajar um corte no juro doméstico, hoje. A única incerteza seria o efeito da alta dos preços internacionais do petróleo sobre a inflação, que teve uma elevação superior à prevista em julho e neste mês.

Nos EUA, o índice Nasdaq, das ações de alta tecnologia, fechou com avanço marginal de 0,13% e o Dow Jones, de empresas tradicionais, alta de 0,54%.

TENDÊNCIAS – Contratos de juro futuro negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) indicam para agosto taxa de 16,37% ao ano (1,39% efetiva ao mês), acima dos 16,31% registrados na véspera. A projetada para setembro caiu de 16,4% ao ano para 16,23% (1,2% ao mês). Contratos de dólar futuro apontam, em relação à cotação de R$ 1,8170 à vista, alta de 0,2%, para R$ 1,8206, até 31/8, e de 0,91%, para R$ 1,8336, até 30/9.

Índice Bovespa (IBovespa) futuro subiu 0,76% e sugere valorização em relação ao mercado à vista de 3,31%, para 17.794 pontos, até o vencimento, dia 18 de outubro.

Dólar

As cotações recuaram nos mercados paralelo e comercial. O paralelo caiu 0,10%, negociado por R$ 1,900 para compra e R$ 1,918 para venda, e o comercial recuou 0,27%, comprado por R$ 1,815 e vendido por R$ 1,817, no fechamento dos negócios.

Renda fixa

Pela taxa máxima, o CDB de 30 dias emitido ontem rendeu 15,98% ao ano, ou rendimento bruto de 1,24% e líquido de 0,99%. Nesse nível a taxa ficou estável em relação ao dia anterior. Nas agências, onde a remuneração varia de acordo com a quantia investida, aplicação de R$ 5 mil rendeu 13,39% ao ano, ou 1,05% bruto e 0,84% líquido; R$ 30 mil, 14,09% ao ano, ou 1,10% bruto e 0,88% líquido.

Ouro

O ouro movimentado na BM&F fechou o pregão cotado por R$ 16,99 o grama, com queda marginal de 0,06%. O volume negociado foi de 27 kg. No mercado de Nova Iorque, na Comex, a onça-troy de ouro foi cotada por US$ 273,50 nos contratos para liquidação em agosto.


Jornal do Commercio
Recife - 23.08.2000
Quarta-feira