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MISSÕES
Sítios históricos retratam a cultura dos guaranis

por André Galvão
Editor de Cidades

O Rio Grande do Sul das vinícolas, da efervescência cultural, dos imigrantes europeus e do aconchegante clima de serra, quem diria, também está prestes a se transformar num dos mais cobiçados destinos do turismo arqueológico do Brasil e da América do Sul. As intenções governamentais e empresariais são muitas, mas, enquanto elas não se concretizam, os visitantes podem – e devem – apostar nesse inusitado filão do turismo sul-riograndense e enveredar, sem hesitar, pelo interior da terrinha do chimarrão.

De preferência, em direção à cidade de Santo Ângelo, ponto de partida para uma inédita e proveitosa excursão pelos sítios históricos que retratam um pouco da cultura dos índios guaranis nos pampas gaúchos, onde floresceu uma das mais desenvolvidas culturas indígenas brasileiras depois da chegada da esquadra de Pedro Álvares Cabral ao litoral baiano, em 1500.

Da conquista espiritual empreendida pelos jesuítas nos séculos 17 e 18, brotou uma bem-organizada vida em sociedade, que se espalhou pelo Rio Grande do Sul, Argentina, Uruguai e Paraguai. Infelizmente, a ‘era de ouro’ durou apenas 160 anos, e a maioria dos povoados virou pó, sendo riscada do mapa. Hoje, restam algumas poucas ruínas para contar a rica história dos guaranis. Entre elas, a da Igreja de São Miguel Arcanjo, a 62 quilômetros de Santo Ângelo, também conhecida como Capital das Missões.

Reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, essa ruína é a melhor contribuição brasileira para a preservação do legado missioneiro. A construção de pedra surpreende pela riqueza de detalhes, apesar da evidente falta de conservação. Outros sítios próximos, como os de São Lourenço, São Nicolau e São João Batista, compõem o cenário, desconhecido por boa parte dos brasileiros.

No lado argentino e paraguaio estão outros monumentos de igual importância, também tombados pela Unesco. Diante de tanta riqueza e de lugares convidativos, os forasteiros precisam apenas dar asas à imaginação e voltar no tempo, mergulhando num passado de glórias, submissão, descobertas, colonialismo e batalhas pela preservação de um heróico povo, praticamente dizimado porque lutou arduamente contra as coroas portuguesa e espanhola para viver em harmonia e em comunidade, longe do domínio dos ávidos brancos europeus.

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Jornal do Commercio
Recife - 17.08.2000
Quinta-feira