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MEDICAMENTOS III
Licitação federal reduz preços em até 95%

BRASÍLIA – O Governo Federal poderia auxiliar Estados e municípios a fazer licitações para compras em grande escala de remédios e obter preços muito menores. A sugestão foi feita ontem pelo secretário de Saúde do Município do Rio de Janeiro, Ronaldo Gazzola, na CPI dos Medicamentos. Ele informou que consegue preços até 95,8% inferiores aos de fábrica em licitações.

Gazzola não sabe como os laboratórios conseguem reduzir tanto seus preços em relação àqueles das farmácias e se disse surpreendido com a diferença de valores.

Representantes de laboratórios nacionais alegam que reduzem seus preços porque, em concorrência pública, deixam de gastar com transporte, marketing e embalagens. O diretor-presidente do laboratório nacional Biolab Sanus Farmacêutica, Dante Alario Júnior, admite que o consumidor não consegue entender diferenças entre o preço oferecido pelo laboratório em uma licitação e o preço de fábrica – que o laboratório determina para a venda e que ainda será acrescido da margem de lucro das farmácias. “É difícil de entender”, disse Alário Júnior.

Segundo o secretário Gazzola, o município do Rio tem o Sistema de Registro de Preços e a regra é nunca admitir, nas licitações, valor superior a 70% do preço de fábrica do laboratório. A partir daí, faz-se uma licitação pública, ganhando o menor preço.

Gazzola mostrou aos deputados que pode adquirir o captopril (substância principal de antihipertensivo) 25 miligramas por R$ 0,02 (preço unitário). O preço de fábrica do produto é de R$ 0,48 e ele é vendido na farmácia por até R$ 0 69, de acordo com Gazolla. A diferença entre o preço obtido pela secretaria e o preço de fábrica é de 95,8%.

No caso da ranitidina, usado no tratamento de úlcera, a Secretaria adquire o produto por R$ 0,08. Ela consegue segundo Gazolla, um desconto de 83% sobre o preço de fábrica, que é de R$ 0,48. “Mesmo vendendo remédios similares, e, portanto, com custos menores, os laboratórios têm uma boa margem de lucro”, acredita Gazolla.

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Jornal do Commercio
Recife - 24.03.2000
Sexta-feira

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