
DOCUMENTÁRIO
Pernambuco
é país de pós-tropicalistas Quem esteve no Recife esta semana
rodando um documentário sobre a música brasileira dos
últimos 30 anos foi a produtora Vídeo Filmes, que ficou
bastante conhecida depois de mostrar para o mundo o filme
Central do Brasil. Uma pequena super-produção
tomou conta da Rua da Moeda, em frente ao bar Pina de
Copacabana, locação principal desta, que foi a primeira
parte do vídeo. Lá foram gravadas entrevistas com os
artistas que ajudaram a divulgar a música pernambucana
durante estes anos, como a Nação Zumbi, Naná
Vasconcelos, Otto e o flautista César Michiles.
Depois das entrevistas, um
palco foi montado na rua para uma jam na qual os músicos
executaram versões da época da tropicália, como Panis
et circense, de Caetano Veloso, famosa pelas mãos dos
Mutantes. O objetivo é criar um diálogo de
idéias e músicas a partir da tropicália até os dias
de hoje, fazendo um encontro de gerações. Todos eles
comentando a música feita no País, explica o
escritor e jornalista Carlos Calado, que assina o roteiro
da produção ao lado de Marinilda Boullay. A idéia
inicial era fazer algo do tipo filhos da
tropicália, mas, segundo Calado, eles descobriram,
no decorrer do projeto, que há gente
intermediária que não sofreu influências desta
música. É o caso de Lenine.
O músico pernambucano
também é um dos entrevistados do documentário. Não
só ele, como Fred 04 da mundo livre s.a. Os dois não
participaram das filmagens do Recife, pois estão no eixo
Rio-São Paulo, onde o trabalho continua. Calado
considera a música pernambucana a mais criativa da
década de 90. No entanto, de acordo com ele, antes mesmo
da tropicália, o Estado já tinha muita influência.
Gilberto Gil ficou louco quando conheceu a Banda de
Pífanos de Caruaru, em 1967. Ele queria misturar aquilo
com Sgt. Peppers. Daí surgiu a semente da tropicália.
Gil e outras figuras importantes desta fase da música
brasileira também darão seus depoimentos.
O documentário, ainda sem
título, está sendo rodado em vídeo e em filme. O
diretor Rogério Gallo explica porquê. Até Win
Wenders esta trabalhando com o vídeo digital. Isto é
só para saber que a proposta é conceitual. Tem a
questão da praticidade, mas sobretudo é conceitual
misturar película super 16 com digital. A estréia
acontece no final de maio, na França, durante uma
homenagem ao Brasil no Festival de La Villette, evento
musical bastante tradicional de Paris. Depois, a
produção segue o circuito de festivais de cinema
brasileiros e possivelmente será veiculado em algum
canal a cabo.
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