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Valorização do uso estético das águas na RMR por ALEX MAURÍCIO ARAÚJO E JOSAFAT MARINHO FALCÃO NETO O poeta Carlos Pena Filho disse certa vez que Recife era parte roubada ao mar, parte à imaginação. Quis o poeta assim exemplificar como a cidade-estuário e a região metropolitana são extremamente dependentes do meio aquático que as rodeiam: indissoluvelmente ligadas por um contexto tanto ecológico como histórico e social. As coleções dágua naturais ou artificiais potencialmente podem agregar uma imagem de espaço e de movimento, em contraste com aquela da alta ocupação e monotonia da paisagem edificada urbana das grandes cidades. A Região Metropolitana do Recife, em particular, oferece nesse sentido um permanente desafio ao desejado planejamento urbano e ambiental integrados. As lagoas, açudes, reservatórios naturais ou artificiais formam ecossistemas especialmente sensíveis ao recebimento de cargas poluidoras. O elevado tempo de residência da água nesses ambientes, associado às suas características morfológicas e hidrodinâmicas, torna-os vulneráveis a um acelerado processo de degradação desses corpos dágua, provocando dificuldades tanto de ordem estética quanto sanitária. As cargas poluidoras, em sua maioria, são oriundas do lançamento de esgotos domésticos e do lixo urbano, que, por sua vez, deflagram influências secundárias ou autóctones, provenientes da formação de material prejudicial dentro do próprio corpo dágua. Para se administrar esses valiosos recursos da nossa região são necessárias medidas preventivas e corretivas para a sua adequada preservação. As preventivas são aquelas relacionadas aos processos de saneamento e de drenagem da sua bacia de contribuição, como por exemplo a construção de redes de esgotos, anéis interceptores e de canais, além de algum tratamento preliminar das águas que chegam. As corretivas são técnicas usadas para a redução do ciclo interno de nutrientes, provocando a diminuição do fenômeno da eutrofização, que é o crescimento acelerado de microorganismos, vegetais e plantas decorrente do excesso de nutrientes disponíveis na água (em razão da matéria orgânica lançada). Isso acarreta, evidentemente, um conseqüente desequilíbrio do ecossistema aquático. Claramente o saneamento e a drenagem devem preceder a qualquer processo de terapia. Entretanto, em função dos custos de implantação desses sistemas e do processo de ocupação urbana local, o fator tempo pode ser determinante para a decisão da atuação de intervenções de recuperação ambiental que resgatem o potencial uso paisagístico dos nossos corpos dágua. Hoje dispõe-se de uma série de técnicas com o objetivo de se recuperar lagoas e reservatórios que utilizam processos mecânicos, químicos e biológicos. Entre os mecânicos estão: remoção do sedimento superficial rico em nutrientes por dragagem hidráulica de sucção favorecendo a exposição das camadas mais antigas de menor potencial poluidor, aeração das camadas profundas por injeção de ar comprimido promovendo a estabilização da matéria orgânica depositada no leito e impedindo a liberação de nutrientes dos sedimentos que pode ocorrer em condições anaeróbias, retirada das águas profundas por pressão hidrostática ou com o auxílio de bombeamento, sombreamento do espelho líquido limitando o recebimento da radiação solar combatendo o crescimento excessivo da vegetação aquática, etc. Dos químicos pode-se citar: as modernas técnicas de segregação de poluentes em suspensão na coluna líquida por floculação seguida de flotação, a oxidação do sedimento com nitrato, aplicação de herbicidas e de cal e, entre os processos biológicos, destacam-se o da manipulação da cadeia trófica. No estudo das possíveis soluções é fundamental ao menos a busca sob a consideração de critérios ambientais, técnicos e econômicos de um equilíbrio e equacionamento razoáveis entre o que é desejado e o que é possível para cada caso, individualmente. A quantidade de fatores e variáveis intervenientes é tão grande que as experiências internacionais e mesmo nacionais relativas à transposição de estudos ambientais, mesmo entre ecossistemas aparentemente semelhantes, tendem quase que inexoravelmente ao fracasso, já que os componentes físicos, químicos, biológicos, climatológicos, morfométricos, hidrológicos e hidrodinâmicos variam consideravelmente em cada caso. Este problema em particular, dentre vários outros que dizem respeito à administração pública, demonstra a necessidade de que os órgãos responsáveis e interessados invistam decisivamente na realização de estudos e em levantamentos ambientais nas suas áreas de influência, para que se possa criar e disponibilizar um banco de dados fundamental à possibilidade de aplicação das tecnologias modernas na busca de soluções dos nossos urgentes problemas ambientais. * ALEX MAURÍCIO ARAÚJO é coordenador e JOSAFAT MARINHO FALCÃO NETO é mestrando do Grupo de Mecânica dos Fluidos Ambiental da UFPE (http://gmfa.demec.ufpe.br) |
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