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ESPECIAL GILBERTO FREYRE V
Visão larga e simpatia profunda, ele só distinguia para unir

Edson Nery da Fonseca

ACADEMIAS – G.F. considerava-se inacadêmico. Em 1920, quando ainda estudante nos Estados Unidos, foi eleito, à sua revelia, sócio correspondente da Academia Pernambucana de Letras, por proposta do acadêmico França Pereira. Membros da Academia Brasileira de Letras insistiam para que ele se candidatasse, garantindo-lhe eleição tranqüila. Mas ele respondia que, sendo membro sem postulação de academias e institutos estrangeiros, não achava justo pedir votos para ingressar em entidades nacionais congêneres. O que não o impedia de receber homenagens e honrarias acadêmicas. Em 1980, por exemplo, a Academia Pernambucana de Letras comemorou festivamente seu octogésimo aniversário. Dois anos depois foi orador da homenagem prestada ao escritor e artista Luís Jardim. Finalmente, em 28 de outubro de 1986, foi eleito, sem pedir votos, para a Academia Pernambucana de Letras, na cadeira antes ocupada pelo geógrafo e humanista Gilberto Osório de Andrade. Na posse, em 11 de dezembro daquele ano – morreria sete meses depois – foi saudado pelo acadêmico Waldemar Lopes. Foi, portanto, fiel a seu propósito de recusar “as glórias pós-balzaquianas das academias.”

ZODÍACO – Gilberto Freyre nasceu sob o signo zodiacal de Peixes (20/2 - 20/3). Dizem os especialistas que os nascidos com este signo têm o dom da síntese, a capacidade de perceber a unidade das coisas, todas relacionadas entre si. Sua visão é larga e sua simpatia é profunda. Assim foi Gilberto Freyre: tinha uma cosmovisão conciliatória de contrários, era generalista e, como Jacques Maritain, só distinguia para unir. Donde seu pluralismo metodológico e o inter-relacionismo que recomendou a vida inteira aos estudos sociais: o que passou a chamar-se, em nossos dias, interdisciplinaridade.

* Trecho do livro inédito Gilberto Freyre de A a Z, com mais de 500 verbetes

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Jornal do Commercio
Recife - 15.03.2000
Quarta-feira