LG_jc.gif (3670 bytes)

NÚMEROS
Desemprego volta a subir no País

RIO DE JANEIRO – O desemprego voltou a subir nas seis principais regiões metropolitanas do País em fevereiro e chegou a 8,2% da força de trabalho, contra 7,6% em janeiro e 7,5% em fevereiro do ano passado, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maior taxa foi, novamente, a de Salvador (11,5%). Em seguida vêm São Paulo e Belo Horizonte, ambas com 8,9%, Recife (8,5%), Porto Alegre (7,8%) e Rio de Janeiro (5,7%).

A taxa foi a mais alta taxa verificada em fevereiro e a segunda maior da série histórica do IBGE, iniciada em 1983. Só perde para maio de 1984, quando ficou em 8,28%, e empata com a de maio de 1998.

A taxa só não é completamente ruim porque houve aumento de 0,5% na ocupação (aumento no número de postos de trabalho). O aumento, no entanto, não conseguiu conter a escalada do desemprego, estimulada, dessa vez, pelo ingresso de mão-de-obra no mercado.

Segundo o IBGE, o número de pessoas que se declararam em busca de emprego cresceu 8,3%, o suficiente para inchar a força de trabalho – a População Economicamente Ativa (PEA) – em 187 mil pessoas (1,1%), entre fevereiro e janeiro, e em 712 mil (4,1%), na comparação com o mesmo mês do ano passado.

A força de trabalho é formada pelas pessoas ocupadas e pelas que estão à procura de emprego. Aposentados, estudantes, donas-de-casa e desempregados assumidos (que não estão atrás de trabalho) compõem a chamada não-PEA.

Esse contingente caiu em fevereiro (-1,6%), em relação ao mesmo mês do ano passado, o que não acontecia desde novembro de 1996. Para o IBGE, trata-se de um indício de que as pessoas que simplesmente não procuravam emprego porque julgavam o cenário econômico muito ruim para serem bem-sucedidas na empreitada (o chamado desemprego por desalento) estão mudando de idéia.

Os candidatos a emprego sem experiência eram 13,7% dos desempregados, em fevereiro. O restante (87,7%) já tinha prática. Taxa não preocupa Apesar de alta, a taxa de desemprego de fevereiro não preocupa porque, além de mostrar que a tímida recuperação da economia está estimulando a procura pelo emprego, também houve aumento na ocupação, disse a consultora do IBGE Shyrlene Ramos de Souza. “A taxa preocuparia muito se a ocupação também estivesse em queda”, disse.

_____________________-___________________


Jornal do Commercio
Recife - 24.03.2000
Sexta-feira