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TRADIÇÃO MILENAR
O reequilíbrio do organismo através da técnica do shiatsu

A Acupuntura (acu=agulha e puntura=pressão) é uma técnica chinesa, cujo tratamento consiste na introdução de agulhas na pele, nos chamados pontos de energia ou de Acupuntura. Através dessa pressão, o equilíbrio energético do corpo é restabelecido. Antes das agulhas de metal, os chineses utilizavam agulhas de pedra. Um tratamento que remete a um passado distante: uns dez mil anos, segundo os estudiosos do assunto. Mesmo tão antiga e praticada no Brasil, pelo menos, desde os anos 60, só em 11 de agosto de 1995 a acupuntura foi reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina.

“A inserção dessas agulhas muito finas desencadeia estímulos nervosos periféricos que ativam áreas específicas do cérebro, provocando uma série de reações neuro-químicas, o que, por sua vez, resulta em ações harmonizadoras do homeostase (tendência dos organismos vivos a manterem um estado de equilíbrio interno)”, explica o presidente da Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura, Dirceu de Lavôr.

Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), em Pernambuco, estão sendo tratados com a técnica no Hospital das Clínicas, Maternidade da Encruzilhada e Posto de Saúde de Alergologia. Já os servidores estaduais têm acesso à técnica no Hospital do Ipsep.

PONTOS DE ENERGIA - O Shiatsu é outra técnica milenar que vem sendo muito utilizada no Brasil. Originário da China, esse recurso terapêutico chamava-se ANMA, antes de chegar ao Japão. Muito semelhante à acupuntura, o Shiatsu também propõe o reequilíbrio do organismo através da pressão nos pontos de energia do corpo, mas, nesse caso, o terapeuta usa as pontas dos dedos em lugar das agulhas.

“Quando essa técnica chinesa foi levada para o Japão, ela foi, aos poucos, perdendo o caráter terapêutico e se transformando em massagem relaxante, o que é algo diferente”, explica a monja Ivone Jishô, que trabalha com Shiatsu há oito anos. Felizmente, segundo Ivone, alguns grupos japoneses fizeram questão de manter a ANMA com as suas características tradicionais e a técnica original não se perdeu, vindo a ser batizada de Shiatsu.

Segundo ela, sob a perspectiva oriental, quando o organismo não está totalmente apto a fazer a auto-regulação, existem níveis diferentes de desequilíbrio. No primeiro, o indivíduo percebe que não está muito bem, embora os sintomas não sejam bem definidos. No segundo, os sinais já são mais precisos. No terceiro, o problema aparece de uma forma clara, com sintomas bem definidos, podendo ser detectado através de exames. “O Shiatsu pode agir de forma preventiva nos dois primeiros níveis. No terceiro nível, a técnica vai ser um coadjuvante no tratamento, ajudando o corpo a se defender mais rápido, buscando o reequilíbrio”, explica ela.

De acordo com a monja zen-budista, é evidente que, ao se mexer com uma parte do corpo, a interferência, na verdade, ocorre em todo o organismo. “Isso é o que caracteriza uma visão integrada de saúde e é o modo oriental de perceber o indivíduo, pois ninguém é um braço ou uma perna”, salienta, concluindo que os ‘os maiores obstáculos’ para a manutenção de uma boa saúde são os maus hábitos alimentares, a falta de disciplina e de vontade, aliados aos maus hábitos mentais, que incluem pensar negativamente.(F.F.P.)

Serviço
Dirceu de Lavor - F. 441.1288
Ivone Jishô - F.231.3037

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Jornal do Commercio
Recife - 19.03.2000
Domingo