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PEREGRINAÇÃO Papa lamenta perseguições contra judeus em visita cheia de emoção
Em clima de forte emoção, o papa lamentou a tragédia sem, contudo, conseguir uma aprovação total da comunidade judaica, que se dividiu entre o elogio a sua atitude e críticas por ele não ter mencionado o silêncio da Igreja Católica durante o extermínio de seis milhões de judeus. Além de lamentar a tragédia, o papa disse que a Igreja, motivada pela lei evangélica da verdade e do amor e não por considerações políticas, está profundamente entristecida por causa do ódio, dos atos de perseguição e das manifestações de anti-semitismo dirigidas contra os judeus pelos cristãos em todo tempo e lugar. Acrescentou que rezava com fervor para que a dor pela tragédia judaica no século 20 leve a uma nova relação entre cristãos e judeus, livres do ódio. As lágrimas correram pelo rosto de Edith Tzirer ao se encontrar com o homem que provavelmente a salvou há mais de meio século dos nazistas: João Paulo II. O reencontro entre a judia polonesa de 69 anos e o sumo pontífice se realizou em Yad Vashem. Edith, uma das 300 mil sobreviventes da Shoah residentes em Israel, era uma adolescente de 14 anos quando foi salva pelo papa, então um jovem sacerdote na Polônia durante a guerra. No dia da libertação (em 1945), Edith permanecia caída perto do campo de trabalhos forçados de Skarzysko-Kammienna, doente de tuberculose e sem forças. Um jovem sacerdote, Karol Wojtyla, lhe deu um pedaço de pão e uma xícara de chá quente, lembra um comunicado do Memorial. Levou-a nas costas durante 3 km até chegar à estação onde se reuniu com outros sobreviventes, acrescenta a nota. Wojtyla, que se tornou papa em 1978, apertou por bastante tempo a mão de Edith e lhe deu carinhosos e ligeiros tapas no braço para infundir-lhe força, como fez com outros cinco sobreviventes durante uma cerimônia cheia de emoção realizada na sala da Recordação, do Memorial. Não há palavras suficientemente fortes para deplorar a terrível tragédia da Shoah, frisou o sumo pontífice. Ao ver o papa naquela cripta pensei em meu pai, minha mãe, meus irmãos e irmãs e senti que estavam ali, disse Vanda Rotenberg, 75, a quem a presença do sumo pontífice em Yad Vashem fez chorar. Sua reação traduziu a emoção excepcional que reinou no local, de terrível austeridade, e cujo teto de cimento armado faz recordar as câmaras de gás. O santo padre foi recebido pelo premiê Ehud Barak que o acompanhou ao interior do mausoléu. Na sala da Recordação, uma cripta sombria, o papa acendeu a chama eterna em memória das vítimas do nazismo. De pé e visivelmente emocionado, o papa ouviu um canto de oração pelas vítimas. CRÍTICA O grão-rabino asquenazi em Israel, Meir Lau, com quem João Paulo II teve um encontro pela manhã ao ser recebido pelo rabinato, considerou inadequada a manifestação do papa. Lau esperava que ele falasse não só sobre os pecados que os cristãos praticaram contra os judeus, mas incluísse no discurso os erros cometidos pela Igreja. E, sobre o processo de beatificação de Pio XII, o papa na época do nazismo, o grão-rabino disse: Seria melhor que a Igreja não santificasse pessoas que calaram enquanto corria o sangue judaico. Mas o discurso papal foi bem recebido por Ehud Barak, que se referiu à mudança histórica da Igreja em relação aos judeus. João Paulo II declarou-se plenamente satisfeito com a reação de Barak a seu discurso, segundo seu porta-voz, Joaquín Navarro Valls. Segundo o premiê, sua presença no Yad Vashem era o ponto máximo de tudo o que o papa já fez para sanar as feridas do Holocausto. |
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