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Regina Pitoscia

Mercado espera uma redução dos juros

O mercado financeiro não reagiu à decisão do Banco Central de manter inalterada a taxa básica de juro em 19% ao ano, contrariando a maioria das previsões que apontavam uma ligeira redução na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no dia anterior. Houve certo desapontamento com a frustração de expectativas, mas o mercado apegou-se à perspectiva de que ocorra um corte antes da próxima reunião do Copom, marcada para os dias 18 e 19 de abril, como sugere o viés (tendência) de baixa adotado na quarta-feira.

O otimismo com essa possibilidade manteve a projeção de juros em queda nos contratos futuros de prazos mais longos negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e as cotações do dólar declinantes. A Bolsa de São Paulo foi pressionada por vendas para realização de lucros nos primeiros momentos do pregão, recuperou-se ao longo do dia para uma alta de até 1,80%, mas chegou ao fim dos negócios com uma valorização residual de 0,09%. O volume negociado, de R$ 860,429 milhões, foi ligeiramente menor que o movimentado na véspera.

O mercado doméstico de ações não andou muito afinado com o comportamento da Bolsa de Nova York, que, desta vez, sustentou fortes altas em seus dois principais índices. O índice Dow Jones avançou 253,16 pontos ou 2,33% e o Nasdaq, das ações de tecnologia, subiu 75,86 pontos ou 1,56%.

O mercado financeiro doméstico está convencido de que o BC vai decidir-se pela retomada da política de corte dos juros apenas quando ficar mais clara a tendência da inflação, que poderia ser pressionada pelo reajuste do salário mínimo e pela elevação dos preços internacionais do petróleo. A expectativa é que o cenário para a inflação fique mais bem definido a partir das próximas semanas.

A avaliação de analistas do mercado é que a Bolsa deve trabalhar sem clara tendência nos próximos pregões. Além da falta de apetite de compra de ações pelo capital estrangeiro, não existem fatos positivos internamente capazes de estimular o interesse pela Bolsa pelo investidor doméstico, comentam.

Os preços no câmbio mantiveram trajetória cadente, pressionados pela grande oferta de dólares no mercado, pelo ingresso de recursos externo e pelo cenário positivo para a economia. O dólar recuou 0,58%, para R$ 1,72, ainda a cotação mais baixa desde maio.

TENDÊNCIAS – Os contratos de juros negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) para março projetaram taxa de 18,70% ao ano (1,44%) ao mês, mesmo porcentual registrado ontem; para abril, a projeção avançou para 18,65% (1,30%), ante 18,64% (1,30%), do fechamento anterior, assim como a para maio declinou para 18,45% (1,49%), contra 18,56% (1,50%).

Ouro
Fechamento: R$ 16,19
Variação: baixa de 0,67%
O ouro movimentado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fechou o pregão cotado por US$ 16,19 o grama, com desvalorização de 0,67%. O volume negociado foi de 339 kg.
No mercado de Nova York, na Commodity Exchange (Comex), a onça-troy (31,104 gramas) de ouro foi cotada por US$ 284,90 nos contratos para liquidação em março.

Renda Fixa
Taxa bruta ao ano: 17,02%
Rendimento líquido/32 dias: 1,13%
Com a manutenção da taxa de juro básica em 19% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira, os bancos optaram também por não alterar as taxas dos CDBs prefixados.
A remuneração paga ontem só foi menor em relação ao dia anterior porque o papel tinha prazo menor.
CDBs prefixados de 32 dias foram emitidos pela taxa máxima de 17,02% ao ano, ou 1,41% bruto e 1,13% líquido.


Jornal do Commercio
Recife - 24.03.2000
Sexta-feira