LG_jc.gif (3670 bytes)


REC BEAT
Marcelo Pereira

Tropicalismo são outros 500

Fred 04 não tolera os estrelismos de Caetano Veloso. Isto não é nenhuma novidade. A implicância é tanta que, quando vieram procurá-lo para participar do documentário que está sendo realizado por Carlos Calado, quando soube que o título provisório era Filhos da Tropicália, ele recuou e disse que não participava. É coerente. O líder da Mundo Livre S/A descende direto do casamento dos punks com o samba esquema novo de Jorge Benjor. Pegar carona no tropicalismo não é com ele.

Nada mais natural, portanto, que a participação dele no documentário aconteça ao lado de Arnaldo Antunes e Tom Zé, no Teatro Paramount, São Paulo.

Nação Zumbi, Naná Vasconcelos, Otto e o flautista César Michiles não têm os grilos de Fred 04 e fizeram a maior farra para gravar uma versão para Panis et circense, que desavisados acham que é dos Mutantes, mas cujo autor é mesmo Caetano. Calado é um dos maiores estudiosos da música brasileira da sua geração, com livros publicados pela Perspectiva. Ele atesta o que muitos já disseram: a cena musical mais rica dos anos 90 é mesmo a de Pernambuco, ufanismos à parte.

Por ter falado em Mundo Livre, vale a pena dizer que a banda começa a gravar seu próximo CD no próximo dia 27, no estúdio DUP, em São Paulo, com produção de Eduardo Bid. A mixagem acontece entre os dias 22 de abril e 4 de maio, nos EUA, em Los Angeles, com Bid, Mário Caldato Jr. e Fred 04. Lançamento previsto para junho/julho.

Mais blues
Birg Gilson está de volta. Dia 1º de abril ele repete no Downtown o mesmo show que fez no Blue Note de Nova York. O líder da Big Allambik é matéria de capa da Blues’n’Jazz, única revista especializada no assunto no Brasil e que vai ser sorteada, junto a CDs cedidos pela Top Cat.

Pelo ‘e-mílio’
Recebi três e-mílios (e-mails, numa livre versão corrente na Manguecéia) com queixas sobre a excessiva duração do show da Laílson Blues Band, sábado passado, no Downtown, o que prejudicou o show de Big Joe Manfra, que começou muito tarde. Tem outro porém, digno de registro: o que toca o trio danado que acompanha Laílson não é brincadeira.

Contagem regressiva
A produção do Abril Pro Rock 2000 intensifica os contatos com a imprensa de todo o País para divulgar o maior festival alternativo do patropi. Numa rápida ouvida, o som que vai rolar na tenda – tipo Anvil FX e Guizzmo – está mais para relaxar do que para esbaldar o esqueleto.

Pau Brasil 500 anos
A África Produções cai em campo com mais um projeto. É o Festival Pau Brasil 500 anos de Cultura Popular, que acontece de 17 a 23 de abril. O evento terá shows, espetáculos de teatro de rua e de dança, oficinas, exposições e debates. Na arena da Torre Malakoff, apresentam-se Batuque, Nação Erê, Majê Molê Coco Raízes de Arcoverde, Banda de Pífanos Dois Irmãos e Selma do Coco .

Correspondência: Rua Major Armando de Souza Melo, 116, nº 402. Setúbal - Recife - PE. CEP 51.130-040


Jornal do Commercio
Recife - 24.03.2000
Sexta-feira