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PROTEÇÃO
Para que nada saia errado no seu vôo

por Julliana de Melo

Sexta-feira de Carnaval/2000. 21h20. O piloto do avião Xavante AT-26 da Força Aérea Brasileira de Fortaleza entra em contato com a torre de controle do aeroporto de Salvador. Com problemas técnicos, a aeronave anuncia uma aterrisagem de emergência no centro da capital baiana, lotada de foliões e turistas. Apesar de um dos dois pilotos ter morrido, as orientações da torre de controle conseguiram evitar uma catástrofe, desviando o pouso forçado para o mar. O plano de emergência, então, foi colocado em prática, acionando as ações de busca e salvamento, com o apoio do Corpo de Bombeiros e da Polícia.

Muita gente nem sequer imagina, mas uma série de providências são tomadas em terra firme enquanto o avião está no ar e, até mesmo, antes que ele decole. Independentemente da aeronave ser pequena ou grande, nacional ou estrangeira, civil ou militar, os vôos que operam nos céus do Brasil estão sob os olhares atentos e constantes do Sistema de Proteção ao Vôo da Aeronáutica. Há uma prévia autorização e acompanhamento de todas as fases do vôo, desde o acionamento dos motores, rolagem, decolagem, curvas e nivelamente ao cruzamento de rotas, mudança de altitude, descida e pouso.

Um dos principais órgãos do Sistema, o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) divide o extenso território brasileiro em Regiões de Controle de Tráfego Aéreo (RCTA). O sistema do Recife (Cindacta III) – que completa, hoje, 12 anos de atuação – protege uma área total de 6.839.320 quilômetros quadrados, equivalendo ao Nordeste brasileiro e a uma larga área sobre o Oceano Atlântico em direção à África e à Europa.

Além disso, o centro mantém contato com todo o território nacional, através dos órgãos responsáveis pelas outras RCTAs (Cindacta I – Centro-Oeste e Sudeste, localizado em Brasília; Cindacta II – Sul, situado em Curitiba; e, brevemente, o do Norte, através do Sistema de Vigilância da Amazônia-SIVAM). A partir destes limites, centros de controle de outros países dão continuidade ao serviço.

Devido ao aumento do volume de tráfego aéreo nas rotas internacionais do Atlântico, bem como nos trechos domésticos, o controle operacional e técnico foi redobrado, surgindo a necessidade de uso contínuo do Radar (Radio Detection and Range). “Coordenamos os planos de vôo e os possíveis cruzamentos de rotas. As informações que fornecemos permitem que as aeronaves voem com segurança durante todo o percurso”, ressalta o tenente-coronel Walter Dias Fernandes Filho, chefe da Divisão Operacional.

Cada Cindacta possui um Centro de Controle de Área (ACC), que mantém contato direito com o piloto. Um outro setor, o Controle de Aproximação (APP), dá suporte ao ACC, monitorando as aproximações de todos os aviões com destino ao aeroporto. Só então, da Torre de Controle, a aeronave recebe orientação e liberação para pouso, decolagem ou manobras na pista.

Com uma estrutura organizada para trabalhar 24 horas por dia, utilizando a alta tecnologia dos equipamentos VHF e HF, são executados serviços de rádio, meteorológicos e de proteção de vôo, assim como a manutenção e conservação das rotas aéreas. Os mecanismos possibilitam, inclusive, detectar a invasão do espaço aéreo por vôos clandestinos, acionando vôos de interceptação.

O Sistema de Proteção ao Vôo funciona com custos baixos e rendeu R$ 589 milhões aqui no Nordeste, só no ano passado. Para se ter uma idéia, os custos do serviço podem ser supridos com o valor de três aeronaves do tipo B-747 – em 1999, um total de 160 mil aeronaves cruzaram a região.

500 ANOS – Depois do último esquema de segurança (montado no final do ano passado diante da ameaça do bug do milênio), as atenções do Cindacta do Recife se direcionam para as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil, em Porto Seguro (Bahia). Está previsto um aumento significativo do tráfego aéreo na região durante o evento, de 17 a 21 de abril.

Apesar de receber diariamente aeronaves de grande porte, o pátio de pouso de Porto Seguro é pequeno e não se encontra preparado para o fluxo (dez vezes maior) de aviões que vai receber no próximo mês. “Redobraremos os serviços nas aerovias e instalaremos temporariamente um radar de terminal, além de fornecer toda a estrutura técnica e operacional para receber os visitantes”, explica o coronel-aviador João Batista Crema, comandante do 3º Cindacta.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.03.2000
Quinta-feira