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MERCADO
Agentes de viagens vêem na Internet um eficiente parceiro

A consolidação da Internet trouxe uma grande transformação para o mercado de viagens. Se a rede chegou para tornar mais prática a vida de quem tem acesso a ela, está cumprindo a sua missão global. Ao mesmo tempo, promove uma mudança no papel do agente de viagem, que, agora, precisa ser mais informado e especializado para, então, assumir sua nova função: a de hábil consultor de uma clientela cada vez mais exigente.

“A Internet é uma grande parceira do agente de viagem”, assegura o presidente da secção pernambucana da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Jorge Salles. Para ele, a rede é a mais rápida e completa fonte de informação, mas tem suas limitações. “A Internet não é uma concorrente do agente de viagem porque não presta o mesmo serviço”, explica. “Além disso, tem a questão da segurança. Em caso de algum dano ao cliente, ele vai ter meios legais de penalizar a agência que o atendeu, na Internet essa regulamentação não existe”, adverte.

Segundo diz, quem faz os sites não tem muito conhecimento do mercado e não funcionam como agente orientador, portanto, não fornecem uma consultoria segura. A outra questão é que “a rede não valoriza o cliente, é apenas uma rede de consumo e produto”, comenta Fátima Bezerra, diretora da WM Tours e diretora da Agências Brasileiras de Turismo Operadoras em Congressos e Eventos (Abrace).

Na tentativa de atraírem cada vez mais internautas, os sites apelam para promoções atraentes, mas nem sempre verdadeiras e vantajosas para o cliente. “A maioria oferece descontos inacreditáveis, mas o que ocorre é que, no caso de passagens aéreas, por exemplo, os lugares só são conseguidos de última hora, para um vôo que parte no dia seguinte em vagas que surgem da desistência de algum passageiro”, explica.

Internauta freqüente, a publicitária Cecília Freitas, superintendente da agência Gruponove/Standard, diz que não abre mão da assessoria de um bom agente de viagem. “Eu gosto de viajar antes da viagem. Pesquiso tudo que posso na rede sobre cidades e serviços, até já reservei hotel via Internet”, lembra. “O agente, porém, tem dicas indispensáveis e pode me dar a melhor orientação sobre um roteiro exclusivo completo como vôos, roteiros e tarifas”, justifica.

MECANISMO – Os agentes de viagens questionam, principalmente, o índice de descontos oferecidos por estes sites que dizem colocar bilhetes aéreos com preços abaixo dos praticados no mercado em cerca de 23%. “Essa informação não é completamente verdadeira”, comenta Fátima Bezerra.

Segundo diz, os sites e as agências de viagens possuem o mesmo fornecedor – as companhias aéreas – e, este índice e até outros mais baixos, dependendo de vários critérios como a temporada e tipo de vôo, são prática comum no mercado. “Essa informação tumultua o mercado, pois fica parecendo que os agentes estão superfaturando tarifas, o que não ocorre”,diz.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.03.2000
Quinta-feira