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EDUCAÇÃO
Weffort quer Latim, Francês, Grego e Espanhol nas escolas

Na opinião do ministro da Cultura, Francisco Weffort, “não há muito o que inventar sobre cultura e educação: os conceitos básicos vêm da antiguidade clássica greco-romana”

BRASÍLIA – O ministro da Cultura, Francisco Weffort, quer o latim de volta às salas de aula dos cursos fundamental e médio. Ele defende ainda a inclusão obrigatória nos currículos de línguas como espanhol, grego e francês, além de disciplinas artísticas como o canto. Isso serviria, acredita o ministro, para melhorar a qualidade do ensino e a formação dos estudantes.

“Não há muito o que inventar sobre cultura e educação: os conceitos básicos vêm da Antiguidade clássica greco-romana”, disse Weffort, após participar da abertura da conferência Desafios para o Século 21, na Câmara dos Deputados, anteontem à noite. Para ele, é fundamental retomar a formação humanista dos alunos.

Não me surpreende que haja problemas de qualidade no ensino básico, afirmou, ao saber que piorou nos últimos dois anos o desempenho dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica – teste aplicado pelo Ministério da Educação (MEC).

A proposta do ministro da Cultura, no entanto, não entusiasma dirigentes do MEC. Favorável à melhora na formação humanista dos alunos, o secretário de Educação Média e Tecnológica, Ruy Berger, entende que isso pode ser feito pelo estudo de outras disciplinas, artes e literatura, sem incluir o latim. “A escola deve definir seus objetivos”, entende Berger.

A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação exige apenas que uma língua estrangeira moderna seja ensinada a partir da 5ª Série. “O latim é uma exigência de quem quer falar direito português”, argumentou Weffort.

MÉTODO – A professora de Letras da Universidade de Brasília (UnB) Janete Garcia concorda com o ministro, mas lembra que a língua-mãe do português era ensinada na base da decoreba. Portanto, seria indispensável mudar a metodologia do ensino, além de formar professores em número suficiente para desempenhar a tarefa nas escolas. “O latim é ainda usado na área científica e até na informática. O termo deletar, por exemplo, é o imperativo do verbo deleo, que significa destruir”, disse.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação baniu o latim das escolas públicas em 1961. Com isso, o ensino da língua ficava restrito a poucas instituições e ao nível superior, sobretudo às faculdades de Direito. Nas décadas seguintes, o estudo do latim clássico (de 65 a.C até 50 d.C.), Língua do Antigo Império Romano, foi praticamente abandonado. O governo nunca impôs o grego nas escolas do País. O ensino do francês já foi obrigatório. Na década de 80, só Rio e Goiás ainda ensinavam o idioma. As tentativas de impor o espanhol são recentes e ainda dispersas.

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Jornal do Commercio
Recife - 24.11.2000
Sexta-feira

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