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CINEMA II Frears trata as emoções com superficialidade Alta Fidelidade é um filme que tem o pop apenas como um fascinante pano de fundo para outras preocupações, especialmente pensamentos de Hornby sobre relacionamentos. Rob, por exemplo, olha para a câmera com a franqueza sarcástica típica de Cusack (A Coisa Certa, Os Imorais), um dos atores mais legais dos EUA nesta área pop-cínica-simpática. Seu lenga-lenga sobre os cinco piores pés-na-bunda de sua vida é interessante. Identificação com Rob é fácil para praticamente qualquer homem emocionalmente ativo, seja comprador de discos, ou não. Ajuda também se você gostar de Marvin Gaye, Velvet Underground ou Bruce Springsteen (que aparece numa ponta como conselheiro sentimental). Curiosamente, Alta Fidelidade tem um verniz inegável e lamentável de filminho, comediazinha que parece desonrar a sinceridade de suas idéias. Isso é produto do seu pedigree americanizado e da superficialidade geral do filme, especialmente em relação às emoções. Rob sofre, mas seu sofrimento não é exatamente comovente. A lama emocional de uma fossa a céu aberto nunca é realmente captada. Barry e Dick são interessantes o suficiente para que queiramos saber mais sobre eles e, ponto mais fraco de todos, a trilha sonora, mesmo ótima e composta por dezenas de faixas, é uma coleção ininterrupta de som ambiente que nunca ganha a vitrine que poderia ter no filme. Ninguém vai sair cantarolando nada do cinema, como em The Breakfast Club, Filadélfia ou Pulp Fiction. Mesmo Frears sendo inglês, é fácil ficar imaginando que outro filme High Fidelity poderia ter sido se tivesse sido rodado na Grã-Bretanha, com a habitual paixão britânica pelo realismo e franqueza (The Commitments vem à mente). De qualquer forma, do jeito que está, Alta Fidelidade é provavelmente a melhor comediazinha românticazinha do ano lançada por Hollywood, e isso é um elogio. SERVIÇO: Site oficial do filme: www.highfidelity.movies.com Produtos da saga: Alta Fidelidade (o livro), de Nick Hornby por R$ 21 e Alta Fidelidade (a trilha sonora) por R$ 29 (na Opus) |
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