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CPI DOS MEDICAMENTOS
Mais uma farmácia é fechada

No estabelecimento foi preso um homem que se passava por médico

Mais uma farmácia suspeita de comercializar irregularmente medicamentos foi fechada, em uma ação conjunta da CPI dos Medicamentos e da Vigilância Sanitária, no final da tarde de ontem. A Homeopharma, localizada no número 260 das Rua da Moças, numa construção erguida sob a arquibancada do Estádio do Arruda, foi interditada por estar produzindo remédios clandestinamente e por possuir um funcionário exercendo ilegalmente a função de médico. O engenheiro químico Jano Almenon Ferreira da Silva foi autuado em flagrante sob a acusação de diagnosticar doenças e fornecer receitas médicas a clientes do estabelecimento. Essa foi a segunda interdição da semana. Anteontem, a Farmácia Braga, na Avenida Norte, foi fechada por ser clandestina.

No escritório do químico, a CPI encontrou manuais de medicina natural e um estetoscópio clínico. “Não estava receitando ninguém. Estou sendo preso injustamente”, alegou. O dono da farmácia, Ignácio Gonçalves, não foi encontrado no local e será intimado a prestar esclarecimentos.

Ontem pela manhã, uma suposta cliente da farmácia, com uma microcâmera de televisão escondida, registrou o engenheiro químico receitando um medicamento para mioma. “Ele disse que o remédio seria bom até para Aids”, disse o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, deputado estadual Sérgio Leite (PT).

Panfletos e anúncios na televisão promovidos pela Hoemopharma anunciavam que a farmácia possuía remédio para males diversos, como impotência e frigidez sexual, alcoolismo, diabetes, cistos, hérnia de disco, hemorróidas e outros.

Estes anúncios estavam atraindo gente até do interior do Estado. “Eu vim de Caruaru para cuidar da minha asma aqui” disse a aposentada Ivanilda Bezerra de Couto, de 67 anos. “Mas desisti porque o doutor queria que eu tomasse uma vidro de remédio que custa R$ 45, a cada 15 dias. É muito caro”, completou a aposentada.

A farmácia clandestina fechada na quarta-feira é acusada, dentre outras irregularidades, de armazenar mais de mil caixas de medicamentos controlados, alguns de venda proibida.

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Jornal do Commercio
Recife - 24.11.2000
Sexta-feira