LG_jc.gif (3670 bytes)

INVESTIGAÇÃO
Ex-policial acusado de integrar ‘gangue fardada’ de Alagoas é preso no Janga

Uma denúncia anônima levou os policiais da Delegacia de Repressão ao Roubo a prenderem, ontem, ao meio-dia, no bairro do Janga, em Paulista, o ex–policial militar alagoano Edgar Romero de Morais Barros. Ele é acusado de ter assassinado o delegado Ricardo Lessa – irmão do atual governador de Alagoas, Ronaldo Lessa – em outubro de 1991. De acordo com informações da Polícia Civil, Edgar é um dos integrantes da ‘gangue fardada’ de Alagoas, grupo de militares envolvidos com crimes de pistolagem e roubo de cargas comandados pelo coronel PM Manoel Cavalcanti.

Edgar Barros estava morando em Pernambuco há quatro anos. Durante este período, ele conseguiu um emprego de gerente em um posto de gasolina no Janga, onde foi preso. No momento da abordagem pelos policiais ele não esboçou qualquer reação.

“Foi uma operação realizada com inteligência. Uma viatura nossa simulou um problema de motor quando estava dentro do posto de gasolina e os policiais solicitaram autorização do gerente para deixar o carro no local. Quando ele se apresentou, os agentes lhe deram voz de prisão”, disse o delegado Gilvan Cavalcanti.

No escritório do posto, os policiais encontraram um revólver calibre 357, cano longo, marca Smith & Wesson, de fabricação americana. O porte deste tipo de arma é proibido no Brasil. Vinte e um cartuchos de bala também foram recolhidos pela polícia do armário do ex-policial. “Além da acusação de homicídio, ele terá que responder mais um processo pelo porte ilegal desta arma”, informou Cavalcanti.

O flagrante de porte ilegal de arma não dá direito a fiança e Edgar foi levado ao Presídio Aníbal Bruno. Entretanto, o delegado Gilvan Cavalcanti disse que ele deverá ser recambiado para o Estado de Alagoas, a fim de cumprir o mandado de prisão preventiva, expedido pela Comarca de Maceió.

Além da morte do irmão do governador, Edgar terá que explicar também o seqüestro e morte de um deficiente físico. “Ele matou o delegado justamente porque o policial estava concluindo a investigação que o incriminava e outros oito policiais militares, entre eles o então major Cavalcanti”, afirmou.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 24.11.2000
Sexta-feira