HISTÓRIA II
Saindo
das salas no porão do conventoO sucesso da revista foi tão
grande que logo as pessoas começaram a chamar a
tipografia que a imprimia de Tipografia da Escola
Gratuita São José para Administração das Vozes de
Petrópolis.
A partir de 1911, a
Administração das Vozes de Petrópolis começou a
aumentar significativamente sua capacidade gráfica. A
primeira máquina impressora foi substituída por outras
máquinas, especialmente pela Windsbraut, importada da
Alemanha, que aumentou em dez vezes a capacidade de produção.
Paralelamente, a editora saiu das salas no porão do
convento para instalar-se em duas casas adquiridas para
este fim situadas na rua em frente ao convento. A sede gráfica
da Editora Vozes não parou de crescer. Na década de 40,
por exigências do Departamento de Imprensa e Propaganda
e para melhor administrar seus negócios, a Administração
da Vozes organizou-se por cotas de responsabilidade
limitada e passou a ser denominada Editora Vozes Ltda.
Também nesse período as casas que a abrigavam foram
totalmente reformuladas, dando lugar a um prédio de 1500
metros quadrados, onde se instalaram, mais comodamente,
as diversas seções da Editora: Oficinas de
composição, de impressão, de encadernação, de douração,
salas de redação e de revisão, depósitos de papel, de
chumbo, de combustível e de obras impressas, escritórios
de contabilidade, desenho, direção e conselho
administrativo, clicheria e loja de exposição e vendas.
No início dos anos 60, é
feita uma nova ampliação no prédio da Editora Vozes,
que passa a ocupar um espaço de 3784 metros quadrados de
área construída. Ao parque gráfico da Editora Vozes,
que constava então com 79 máquinas (41 de procedência
alemã, 13 dos Estados Unidos, 4 da Inglaterra, 3 da Suécia,
1 da Itália, 1 da Suíça e 16 de fabricação nacional)
são adicionadas 51 máquinas, totalizando 130 máquinas,
colocando-a entre as maiores gráficas da América Latina
no período.
Assim também a sua produção
de livros vai crescendo significativamente com o passar
dos anos. De um pequeno catálogo de 65 títulos em 1911,
a Administração das Vozes de Petrópolis, apresenta em
1923 a publicação de 214 títulos, entre livros
religiosos, didáticos, peças teatrais e obras musicais.
No catálogo de 1932, está indicada uma produção de
231 livros religiosos e 101 livros culturais.
No Catálogo Geral de
1943, o primeiro sob a razão social de Editora Vozes
Ltda., há uma produção de 762 livros religiosos e 198
livros não-religiosos didáticos, recreativos, peças de
teatro e romances.
Em 1963, o catálogo da
Editora Vozes apresenta a publicação de 1718 títulos,
entre romances, coleções culturais, peças de teatro,
livros escolares e livros religiosos.
A partir de 1964, a Vozes
passa a investir em publicações para o público
universitário, das área de Antropologia, Economia,
Administração, Educação, Comunicação, Tecnologia,
História, Filosofia, Línguas, Lingüística e Teoria
Literária. Passa a publicar trabalhos monográficos,
dissertações e teses de pesquisadores nacionais e a
traduzir obras de autores consagrados no mundo científico.
Através das indicações
de intelectuais brasileiros e do trabalho dos assessores
da divisão editorial, a Editora Vozes passa a traduzir
Michel Foucault, Jean Piaget, Claude Lévi-Strauss, Noam
Chomsky, Roland Barthes, Peter Berger, Umberto Eco,
Roland Corbisier, Peter Drucker, Pierre Furter, Paul
Ricouer, Julia Kristeva, Carl Gustav Jung, Immanuel Kant,
Bronislaw Malinowski, Rollo May, Tzvetan Todorov, Victor
Turner, Irwing Goffman e Herbert Schiller, entre muitos
outros.
Pesquisadores e
professores brasileiros também encontram espaço na
Vozes para a publicação de seus artigos e teses. Entre
outros, os intelectuais Florestan Fernandes, Muniz Sodré,
Leonardo Boff, Rose Marie Muraro, Darcy Ribeiro, Fernando
Henrique Cardoso, Moacy Cirne, Joaquim Mattoso Câmara,
Isabel Adrados, Rubem Alves, Ângela M. Biaggio, Newton
Freire-Maia, Octávio Ianni, Nelson Werneck Sodré, Luiz
Costa Lima, Maria Tereza Maldonado, Pierre Weill, Roberto
Da Matta, Luis Carlos Bresser Pereira, Affonso Romano de
SantAnna, Eduardo Matarazzo Suplicy, José Ramos
Tinhorão, Gilberto Mendonça Telles e Ziraldo são
publicados e divulgados pela Editora Vozes para todo o país.
Em 1977, a Editora Vozes
possuía tantos títulos universitários em seu catálogo
que resolveu publicá-lo em separado. Foram organizados
dois catálogos, ambos com exatamente 116 páginas, um
para as obras religiosas e outro somente para as obras
universitárias.
Esta nova política
editorial vai colocar a Editora em lugar de destaque no
cenário editorial brasileiro, recebendo em 1971 o prêmio
Editora do Ano, conferido pela Câmara
Brasileira do Livro.
Além do sucesso editorial
e do reconhecimento no meio, a Editora Vozes alcança na
época sua maior expansão comercial: de três lojas em
1961, passa para mais de 20 lojas em 1980. São
realizadas melhorias no parque gráfico e a Editora Vozes
torna-se a primeira editora brasileira a participar com
estande próprio na Feira do Livro de Frankfurt, além de
participar de outras feiras internacionais em Dusseldorf,
Hannover e Bologna.
Marcelo Fereira de
Andrades é coordenador do projeto Vozes 100 anos
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