A previsão de aumento divulgada pelo Governo Federal era de 8%, mas o reajuste real na bomba superou a meta. Os consumidores pagaram, em média, R$ 1,72 pelo litro da gasolina
Apesar do anúncio feito pelo Governo Federal de que o preço da gasolina chegaria a, no máximo, 8% de acréscimo, o que se viu ontem na Região Metropolitana do Recife foi um aumento real de 12% em média nos postos de combustíveis. O consumidor levou um susto ao pagar o preço médio de R$ 1,72 pelo litro da gasolina.
O aeroviário José Marcelo Pinto Júnior foi pego de surpresa ontem pelo reajuste na gasolina. A justificativa do aeroviário foi o trabalho excessivo que o impediu de ler os jornais, por isso pagou R$ 1,71 no posto Aeroporto Auto Shop, franqueado da Shell na Imbiribeira. “Não esperava um preço desses, por isso coloquei apenas R$ 10 de gasolina”, lamentou Júnior.
Para os donos de postos, o aumento repassado pelas distribuidoras beirou os 10%. No Mak Posto, franqueado Shell na Boa Vista, o preço da gasolina comum subiu 14,8% em relação ao valor cobrado na quarta-feira, que era de R$ 1,499. Quem abasteceu ontem, pagou R$ 1,72 pelo litro do combustível. O sócio-proprietário Breno Teixeira explicou que o reajuste foi feito com base no preço normal da gasolina, pois o litro só era vendido a R$ 1,499 na promoção.
“Nas últimas duas semanas a Shell nos repassou a gasolina com promoção, por isso tivemos condições de manter o litro naquele preço. Quando recebemos o combustível da distribuidora com reajuste, ontem, o novo preço veio calculado em cima do valor antigo sem a promoção, que era de R$ 1,539. Subimos então, o preço em 11,8% em relação a esse valor, para acompanhar o valor cobrado no mercado”, justificou Teixeira.
O gerente do Posto Piedade, Fernando Lúcio, também calculou o reajuste da gasolina no preço ‘normal’, que era de R$ 1,539, apesar de cobrar, até a quarta-feira, o preço promocional de R$ 1,50 pelo litro do combustível. Ontem, o litro era vendido a R$ 1,72, ou 14,7% mais caro do que na quarta-feira.
Mas nenhum consumidor se sentiu tão lesado com o reajuste dos combustíveis quanto os taxistas que trabalham com vales. Valter Leandro, que trabalha em uma empresa de tele-taxi, abasteceu seu veículo ontem por R$ 1,82 no posto BR Auto Shopping, em Piedade. “Com um vale de R$ 20 eu só consegui colocar 9,89 litros, isso porque quem trabalha com vale abastece a prazo e ainda tem um corte de 10% no valor estipulado. No fim das contas, o litro de gasolina me custou R$ 2,03. Assim não dá!”, disse o taxista.