Com a parceria, grupo norte-americano administrará o patrimônio rubro-negro por 15 anos. Depois, o gerenciamento passará às mãos do clube. Os investimentos atingem a soma de R$ 50 milhões, sendo que R$ 4,5 milhões serão para reformas na infra-estrutura do estádio
Um projeto inédito na área esportiva brasileira terá o Sport como protagonista. Com a parceria da Champion Sport Marketing (sediada em São Paulo) e a empresa norte-americana Branch Brazil, o clube da Praça da Bandeira será dono de um dos mais modernos patrimônios do Brasil. A parceria foi anunciada pelo presidente Luciano Bivar, ontem, durante um almoço no Restaurante Novo Varanda, na Ilha do Retiro.
Pelo projeto, o que hoje é apenas sede social, estádio e quadras, ganham centro médico, hotel (cerca de 200 quartos), academia de ginástica, centro de convenções, lanchonete, centro comercial e dez salas de cinema. O total dos investimentos beira os R$ 50 milhões.
O contrato é de 15 anos, com o gerenciamento a cargo da Branch, que ficará com um percentual da receita gerada. Ao final do acordo, o comando de tudo fica exclusivamente com o Sport. A mola-mestra do projeto é que a receita do clube não dependerá tanto do futebol como hoje.
A nova Ilha do Retiro ocupará a extensão que atualmente vai da entrada do arco até o estacionamento, em frente ao giradouro, num total de 44.369,50 metros quadrados. Para isso, algumas mudanças acontecerão. Primeiro, as três quadras localizadas nessa área serão destruídas e reconstruídas em outro local.
A sede social permanecerá onde está, mas sofrerá uma remodelagem. A previsão de conclusão das obras é de 18 a 20 meses, tão logo iniciem-se os trabalhos. “Queremos dar uma nova mentalidade aos freqüentadores do clube”, disse Bivar.
No que diz respeito ao Estádio Adelmar da Costa Carvalho, os parceiros não pretendem continuar a ampliação, mas lançar mão de reformas na infra-estrutura. “O torcedor quer um bom sistema de água, energia e conforto”, disse o representante da empresa americana, Márcio Raigorodsky. Dos R$ 50 milhões previstos, R$ 4,5 milhões irão para o estádio.
Com todo o projeto amarrado, agora caberá a Bivar a tarefa de discutir a ‘Ilha do Futuro’ com o Conselho Deliberativo. Nas próximas reuniões, o presidente rubro-negro levará ao conhecimento de todos, os detalhes do plano. “Nada será feito à revelia da família rubro-negra”, frisou. Só quando tudo for aprovado é que as partes envolvidas baterão o martelo.
PIONEIRISMO – O empresário Bernardo Sonderman, que intermediou a parceria do Sport com a Branch, revelou que nenhum clube brasileiro tem projeto semelhante e a escolha recaiu sobre o clube pernambucano diante do potencial patrimonial e da boa localização. Questionado sobre o fato de não ter escolhido um clube do Centro-Sul, ele disse que a área está saturada e nenhum dos clubes daquela região tem um patrimônio como tem o Sport.
Além da valorização ainda maior para a marca do clube, o empresário lembrou que a parceria nunca deixará de ser vantajosa porque o clube não perde seu patrimônio, diferente dos investidores de alguns clubes que injetam dinheiro no departamento de futebol, não colhem resultados imediatos e comprometem a parceria, como o Flamengo, por exemplo. “Isso pode servir para, no futuro, conseguirmos um parceiro para o futebol”, destacou o presidente Luciano Bivar.
SÓCIOS – Dentro de todas essas mudanças que ocorrerão no clube, os sócios terão algumas vantagens. Além disso, a segunda parte do projeto diz respeito aos novos títulos para os associados. “Mas ainda não é hora de nos aprofundarmos nesse assunto”, declarou o presidente.