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COMPORTAMENTO II
É tudo questão de momento

Se os entrevistados se inspirassem na mensagem erótica dos outdoors da M. Officer, certamente as respostas sobre transar ou não no primeiro encontro seriam 100% positivas. Mas, como ressalta a psicoterapeuta Lindair Araújo, ambos os sexos tomam decisões nesse campo de acordo com a sua história individual, familiar e cultural, e não somente pelo que é ditado pela sociedade. “Esses elementos são responsáveis pelo nascimento do germe da liberação, processo esse bastante particular de cada um. É a partir desse contexto e da tradição do indivíduo que uma posição é tomada”, salienta.

A especialista lembra que, devido à pluralidade de comportamentos dos jovens atuais, é difícil obter uma resposta única sobre sexo no primeiro encontro. “Hoje, privilegia-se a vida privada em detrimento da pública. A primeira é fruto dos princípios de intimidade deselvolvidos dentro da família. E a vida pública, por sua vez, revela o privado, a exemplo da exibição do próprio corpo em programas de TV e em outdoors, entre outros meios”, explica.

De uma maneira geral, Lindair acredita, porém, que é mais comum as pessoas não se entregarem de imediato. “O movimento é de contenção, de receio. Quando se está na fase da adolescência, principalmente. Nesse período, somos todos muito vulneráveis”, aponta, acrescentando em seguida que o mesmo não acontece com quem já passou dos 20. “Esses são mais ousados. Acham-se onipotentes e que, só no olhar, conhecem quem está à sua frente”, diz. O que nem sempre pode dar certo. Por isso, o melhor na hora de decidir, segundo a psicoterapeuta, é estar atento para os seus valores, princípios e sentimentos. “Se a pessoa estiver afinada consigo mesma, certamente tomará a decisão que se adequa melhor ao seu bem-estar posterior”, indica.

Essa também é a opinião da psicoterapeuta Silvana Oliveira. Para ela, o importante é que as pessoas procurem ouvir a si mesmas e tentem descobrir se estão preparadas para as conseqüências desagradáveis de ordem física, no caso de gravidez, ou emocional. “É sempre bom se perguntar na hora de fazer sexo se é isso mesmo que se está querendo ou se é apenas uma resposta positiva às expectativas do outro”, ressalta. (L.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 19.11.2000
Domingo