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MÚSICA DIGITAL MP3 luta para continuar vivo e gratuito por Bruna Cabral
Quem se prejudica? Os 38 milhões de usuários, que terão que pagar taxas mensais estimadas em US$ 5 para usar o serviço, além do próprio MP3, que poderá perder força e público. Para quem já fez o download, o segredo é aproveitar enquanto não é criado um sistema de cobrança. Esforço, aliás, financiado com empréstimos da Beterlsmann, que também comprou uma parte do negócio e se comprometeu a sair do grupo que processa o Napster tão logo o serviço se torne rentável para artistas e gravadoras. Até agora, pouca coisa foi definida. Os criadores dizem que o serviço manterá a distribuição e a troca de arquivos de MP3. Mas e quanto à gratuidade, que era o terceiro elemento da equação? Para alívio dos napstermaníacos, a empresa assumiu o compromisso de disponibilizar serviços gratuitos pela Web. Só não disse quais. O acordo entre Napster e Beterlsmann é visto com bons olhos pela Justiça e indústria fonográfica. Segundo Paulo Henrique Batimarchi, analista de Internet da Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos (APDIF), este é o primeiro passo para que o MP3 traga vantagens para todos os envolvidos. Ele diz que a Justiça espera que outros serviços acenem para a negociação. Enquanto as mudanças não vêm, os usuários tentam decidir o que fazer. Mesmo sem saber de quanto será a taxa, a estudante de publicidade e administração Silvana Delgado, 23 anos, garante que deixará de usar o serviço quando começar a cobrança. Não é nem pelo incômodo de ter que revelar o número do meu cartão pela Web, ou de efetuar o pagamento numa agência bancária, mas por uma questão ideológica. Não acredito que esse dinheiro será revertido, de fato, para os artistas, afirma. O estudante de arquitetura Thomaz Ramalho, 20, também questiona o destino da verba arrecadada. Que garantias temos de que esse dinheiro realmente será revertido para os músicos?. Decidido a abandonar o Napster, ele afirma que não é justo o sistema de cobrança que está sendo cogitado pela empresa. O usuário que tem uma conexão mais rápida acabará baixando mais músicas que os outros. Nem desconfianças nem taxas. Nada fará o designer gráfico Kleber Venancio, 24, aposentar o Napster. Acho justo o pagamento de uma pequena taxa. O estudante de arquitetura Augusto Magno, 26, também não pretende deixar de usar o serviço. Continuará sendo mais barato gravar um CD de MP3 que comprar um nas lojas, defende. Uma pesquisa desenvolvida pelo Diga-me para o iG revelou que Augusto e Kleber são exceções. Entre os 9.514 participantes, apenas 8% se declararam dispostos a pagar para baixar músicas usando o Napster. Em outra pesquisa, do próprio site, o número de internautas que jura fidelidade ao Napster, haja o que houver, sobe para 18%. Essa polêmica também está mobilizando artistas. Segundo Adelson Luna, 29, baterista da banda Querosene Jacaré, a lei de direitos autorais é melhor para as gravadoras que para os músicos. Da vendagem de disco, só ficamos com 8%. Adelson garante que rentável para o artista é o show. E não há show sem divulgação e popularidade. Por isso a banda decidiu lançar o CD Fique Peixe em MP3. Descobrimos que essa é uma boa forma de divulgação e não vamos cobrar por isso, afirma. Ao contrário do que se diz, os internautas não deixam de comprar discos. Recebemos vários e-mails perguntando quando o disco estará nas lojas. Na Web, as músicas do álbum estão disponíveis em www.manguenews.com.br, www.manguetronic.com.br, www.aponte.com.br e www.mp3clube.com.br. No mundo real, o disco só será lançado em janeiro. |
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