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MÚSICA DIGITAL II Música digital: o melhor é piratear ou legalizar? Apesar da turbulência que o MP3 atravessa, ninguém aposta no fim do formato. Para alguns, a decisão do Napster de cobrar taxa aos usuários e o encerramento das atividades de vários sites brasileiros serviram para comprovar somente que é impossível ganhar dinheiro com a troca de música pirata pela Web afinal, sem o aval da Justiça, não há como conquistar publicitários e investidores. Outros apostam no início de uma nova geração de sites de MP3: a dos bons moços da Web, cuja principal meta é não infringir as leis do mercado fonográfico. Quem acredita na primeira hipótese defende que é preciso fazer a distinção entre o mais popular formato de áudio digital e a atuação dos sites que exploram a tecnologia. Segundo o analista de sistemas João Eurico Lima, 35 anos, a distribuição ilegal de MP3 continuará a existir, só que de forma menos óbvia, ou seja, a troca de música não se dará mais com o intermédio de sites e grandes serviços que chamam a atenção da Justiça, mas somente entre internautas. Estão surgindo novos programas de MP3, como o Gnutella, que, ao contrário do Napster, não possuem um servidor central para intermediar a comunicação e troca entre os usuários, afirma. Isso significa que vai ficar cada vez mais difícil para a Justiça coibir o formato MP3, porque não há como localizar e desligar os milhares de computadores que usam o sistema em todo o mundo. Um dos novos piratas do ciberespaço, o Gnutella permite a troca de vídeo e até de software, além de áudio, sem custo algum. Outro bom serviço gratuito de troca de MP3, de acordo com João Eurico, é o Audio Galaxi, que foi criado há cerca de seis meses e vem crescendo na preferência dos usuários. É até mais fácil de usar que o Napster e a qualidade do som é muito boa. Há, no entanto, quem garanta que a pirataria musical pela Web está com os dias contados. O organizador do site MP3 Clube, Marcelo Justa, é um dos que defendem a legalização. O MP3 é uma ferramenta poderosa de marketing, mas vinha sendo mal-utilizada. Segundo ele, o caminho que os sites deverão seguir conduz, inevitavelmente, à conciliação entre artistas, gravadoras e a Web. Antes de colocar à disposição as 300 canções que estão no MP3 Clube, corremos atrás de autores e gravadoras. Foi um trabalho de anos, mas agora vejo que valeu a pena, afirma. O site permite que os artistas saibam quantas vezes a música foi ouvida, por quem e a que horas. Isso facilita a entrada de novas bandas no Clube. Para ampliar as boas relações com gravadoras e artistas sem esquecer dos investidores, Marcelo anuncia mudanças no MP3Clube. Além dos serviços gratuitos, iremos estabelecer uma taxa mensal para os associados terem acesso às músicas. Um software irá dividir a verba entre gravadoras, músicos e site. A proposta é usar a MP3 para divulgar os lançamentos de bandas nacionais, como acontece no rádio. Disponibilizaremos uma ou duas faixas de cada CD. Para ouvir as demais, os usuários terão que comprar o disco, diz. SERVIÇO |
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