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MÚSICA DIGITAL III
Outros sons que tocam na Internet

Apesar de o MP3 ser o formato mais famoso de música digital, existem outros que ganham cada vez mais adeptos, como o Ogg Vorbis. A escolha do formato ideal continua sendo a combinação entre som de qualidade e arquivos reduzidos, além da gratuidade para download

Lícito ou ilícito, interessante ou não para as gravadoras, o MP3 lançou moda e hoje já divide o mercado com muitos outros concorrentes. O fenômeno que ‘agitou’ o mercado fonográfico mundial acabou revelando uma nova face da Internet. Para não ficar de fora de mais essa ‘revolução digital’, grandes empresas começaram a investir em programas de áudio pela Internet, disponibilizando várias opções para os usuários. No entanto, os internautas garantem que o reinado da MP3 não está ameaçado.

Uma das gigantes que aderiram à onda do áudio digital foi a Microsoft, que lançou recentemente o Windows Media Player, formato que inclui música e vídeo digital, jukebox e emissora de rádio. Nas primeiras seis semanas após o lançamento, mais de 10 milhões de cópias do software, que recebe o mesmo nome, foram feitas por download. Essa taxa de adesão supera a de softwares populares como o Internet Explorer 5 e até de serviços como o Hotmail.

No entanto, o público faz algumas ressalvas ao produto. “O codificador do Windows Media é gratuito, mas a qualidade do áudio não é tão boa”, afirma o analista de sistemas João Eurico Lima, 35 anos. “Além disso, há uma certa ‘paranóia’ com relação à Microsoft, especialmente nos Estados Unidos. Todo mundo acha que onde a empresa investir, ela vai monopolizar o mercado”.

OGG VORBIS – Líder na preferência dos internautas dissidentes do MP3, o Ogg Vorbis, da iCast, possui algumas vantagens em relação às demais opções, além da gratuidade. A principal é o fato de ter código aberto, ou seja, permitir que os usuários façam adaptações no programa a partir de suas demandas específicas. Mas as vantagens não param por aí. Esse formato tem ainda maior poder de compressão dos arquivos, facilitando e agilizando a troca de música entre os usuários, sem que haja prejuízos na qualidade do som.

Outra opção é o VQF, criado pela Yamaha. “Como o formato é proprietário da Yamaha, o software não é gratuito, ou seja, o usuário não paga para ouvir as músicas, mas paga pelo programa”, afirma João Eurico. Outro fator que contribuiu para a impopularidade do VQF foi o fato de poucas máquinas estarem aptas a rodar o software na época de seu lançamento. “O programa tem poder de compressão maior, ou seja, diminui os arquivos de música e facilita o download. No entanto, exige melhor desempenho dos PCs”.

Um dos poucos formatos lícitos de áudio na Web é o Liquid Audio, criado e mantido pela empresa de mesmo nome. O formato funciona da seguinte maneira: o artista registra sua música no serviço e o usuário tem que pagar para fazer o download de cada canção. Passar a música de graça para os amigos? Nem pensar. Um sistema de segurança desenvolvido pela empresa impede que os arquivos de áudio sejam abertos em outros comoputadores. “A solução, no entanto, parece não ter dado certo até porque as gravadoras ainda não acordaram para a possibilidade de vender música pela Internet”, afirma João Eurico.

JEITINHO BRASILEIRO – No entanto, não é preciso dispor de um programa específico para trocar músicas pela Rede. Um das possibilidades adotadas por muitos internautas são os canais de MP3 de redes de IRC brasileiras ou internacionais, que oferecem até 72 GB de música. Até o programa de bate-papo ICQ pode ser usado para transmitir áudio e, o que é melhor, sem limites de extensão de arquivos.

Mesmo com tantas opções, muitos internautas não abrem mão do MP3. “É o formato mais fácil de usar e mais comum, o que permite trocar música com mais gente”, afirma o estudante de engenharia mecânica, profissional de informática e DJ nas horas vagas, Thiago Bruch, 20. De tão viciado em MP3, ele não se separa do seu micro nem quando vai “colocar o som” nas festas. “É bem mais prático que levar centenas de discos. Disponho de milhares de músicas no computador e ainda posso acessá-las de maneira mais prática e rápida”, conta. “O MP3 veio para ficar”, prevê.

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Jornal do Commercio
Recife - 22.11.2000
Quarta-feira