Em um claro ‘efeito PT’, provocado pela derrota sofrida na eleição do Recife, a aliança PMDB/PFL/PSDB vive nova crise à espera da reforma do Governo Jarbas
por ALBERTO LIMA
As duras críticas feitas pelo deputado federal José Mendonça Bezerra (PFL) ao secretário de Planejamento e Desenvolvimento Social, José Arlindo Soares, caíram como uma bomba no Governo do Estado e abriram uma nova crise na aliança PMDB/PFL/PSDB. Na condição de pai do vice-governador Mendonça Filho e artífice da união iniciada em 1993 entre o PMDB e o PFL, as declarações do parlamentar foram uma espécie de prenúncio de mais um terremoto na instável base de sustentação do Palácio das Princesas. Como se não bastasse, o silêncio e a saída de cena do governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), às vésperas de uma reforma no 1º escalão, estão deixando a administração estadual, e em especial o seu secretariado, em polvorosa por não saber o que irá acontecer com o Governo daqui pra frente.
Acusando José Arlindo de ter traído o governador, votando contra o candidato dele, Roberto Magalhães (PFL), à Prefeitura do Recife, o deputado pediu a cabeça do secretário por ele não se coadunar com a proposta política da aliança e, mais que isso, por não aceitá-la. A atitude irritou bastante vários jarbistas de carteirinha, que consideram o secretário de Desenvolvimento Social um dos mais éticos, competentes e leais nomes da atual gestão. Para alguns peemedebistas, que nunca assimilaram a união dos dois partidos e nutrem um forte ranço contra o PFL, as declarações do parlamentar foram mais uma prova de que é hora de Jarbas tomar um novo norte político, levando o Governo mais para fora da órbita dos pefelistas.
Ontem, em tom mais ameno, José Mendonça enviou uma carta ao jornalista Inaldo Sampaio, a quem havia declarado a sua antipatia pela atitude de José Arlindo, reiterando as críticas, mas alegando que isso não implica em sua exoneração. “Não pedi e nem vou pedir o afastamento de nenhum secretário, por entender que esta é uma atribuição exclusiva do governador Jarbas Vasconcelos, a quem cabe julgar pela admissão ou exclusão de qualquer integrante da sua equipe”, afirmou (leia íntegra no quadro abaixo).
Para tentar abafar as críticas e evitar propagar ainda mais a crise, ninguém no Governo do Estado quer comentar as declarações de Mendonça, que, um ano atrás, na ocasião contra o secretário de Governo, Dorany Sampaio (PMDB), já causaram muita dor de cabeça à aliança. Mas, e disso ninguém tem dúvida, a insatisfação de vários setores do PMDB, PFL e PSDB aumentou consideravelmente depois da derrota nas urnas, em outubro passado, para uma oposição que o Palácio das Princesas considerou enterrada com a vitória nas eleições de 1998.
De um lado, estão os geralmente comedidos pefelistas, irritados pela perda da Prefeitura do Recife e, aproveitando a derrota, para instaurar um ‘caça às bruxas’ no Governo, cujas vítimas devem ser os jarbistas não-convertidos à aliança com o PFL. De outro, peemedebistas que atribuem a uma suposta má imagem do PFL o desgaste pelo qual a administração Jarbas vem passando. Em um terceiro vértice, aparecem os novos aliados tucanos, que fazem criticam os rumos políticos da atual gestão, porque ainda não participam dela, e são vistos como aproveitadores por muitos pefelistas e peemedebistas.
No meio da confusão, o governador, que, a duras penas, construiu uma ampla base aliada e, agora, se vê às voltas com constantes confusões e atritos entre governistas sem saber como conter e contemplar tantos insatisfeitos. Atentamente, os três partidos esperam o caminho que será tomado por Jarbas para viabilizar a sobrevivência da aliança rumo a 2002.