Não são só as declarações de José Mendonça (PFL) que estão abalando o Governo. Depois de confirmar, por duas vezes, que iria fazer uma reforma na administração até o final do ano, o próprio governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) criou um enorme clima de instabilidade dentro da sua equipe. Em meio a tantas frituras e possíveis exonerações, vários secretários estão com um pe´ atrás, preferindo falar em reserva e esperar pela decisão que vem do Palácio.
Há um bom tempo, antes mesmo de viajar para Londres, o governador saiu de cena e anda trancado no gabinete sem falar com muitos integrantes da sua equipe, aumentando ainda mais o clima de expectativa. “Se algo não funciona, tem que ser trocado. Mas, para isso, tem que se verificar, fazer averigüações, para depois substituir”, explica um secretário.
Ventilando a possibilidade de deixar a reforma para o ano que vem, Jarbas aumentou o tempo de espera e levou a equipe a ficar ainda mais indócil. Ontem, segundo informações, a instabilidade chegou a um nível tão insuportável em algumas áreas do 2º escalão que o presidente da EMTU, Carlos Collier e alguns diretores teriam entregue os cargos, em protesto contra a crise que se instalou na administração. Collier, no entanto, negou a informação.
“É evidente que existe concretamente uma animosidade no Governo. Tantas especulações acabam provocando um clima de inquietação. Mas acho que o governador está consciente disso e não quer fazer nada de forma intempestiva. Afinal, é a última oportunidade que ele tem de mexer na equipe. Isso porque 2002 já é ano eleitoral”, avalia outro secretário.
“Jarbas vai ter que avaliar o perfil de cada um e ver onde vai mexer. Há um compromisso assumido com Pernambuco e muitos projetos estão sendo cumpridos. Mas é inegável que o Governo não está tendo o desempenho que queria”, esclarece outro integrante do 1º escalão.