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CORRUÇÃO
Ikal foi paga por obra que não construiu no sertão de Pernambuco

BRASÍLIA – O empresário Fábio Monteiro de Barros, dono da Ikal, é acusado de ter montado um esquema para desviar dinheiro público da obra de uma barragem – o açude público Ingazeira, no Sertão de Pernambuco –, além dos R$ 169 milhões da construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.

O mestre-de-obras Raimundo Cândido Macedo, 48 anos, explicou como ajudou a maquiar a construção de uma barragem pela Ikal, em Ingazeira, onde o empresário ganhou R$ 653 mil do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. A barragem nunca foi construída.

O mestre-de-obras informou que recebeu orientação da Ikal para inventar medições, com o objetivo de receber o dinheiro. Ele afirmou que foram tiradas fotos de um terreno onde seria feito o sangradouro da barragem, por onde a água passaria, um dos locais nos quais ocorreu a fraude. O mestre-de-obras informou ainda que rasgou dez centímetros do terreno, mas que a empresa assegurou ao Dnocs ter feito a remoção de 1 metro.

Macedo contou que todo a “maquiagem” de medições foi feito às pressas, uma vez que a empresa tinha de receber a verba até o fim de dezembro de 1998, dentro do prazo orçamentário. O mestre-de-obras afirmou que o serviço realizado no local onde seria construída a barragem, mesmo incluindo custos com mão-de-obra, jamais passaria de R$ 200 mil. Segundo ele, a obra foi abandonada no início de 1999 e 42 operários ficaram sem receber o dinheiro.

O diretor-regional do Dnocs no Recife, José Gaspar Cavalcante Uchôa, disse que a obra foi suspensa e que não se lembra quanto a empresa de Barros Filho recebeu do Governo. Segundo Uchôa, a obra foi embargada por falta de Relatório de Impacto Ambiental (Rima). Uchôa, no entanto, não acredita que a construção tenha sido “maquiada”. Segundo ele, cabe ao Dnocs em Fortaleza liberar o dinheiro de obras em Pernambuco.

O diretor-geral do Dnocs em Fortaleza, Celso de Macedo Veiga, contou que foram liberados R$ 653 mil para a obra da barragem de Ingazeira, em 1998. Veiga disse que não estava no cargo na época, mas que vai se inteirar do assunto.

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Jornal do Commercio
Recife - 25.07.2000
Terça-feira

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