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SAÚDE II Garotos participam de projeto inédito de educação sexual Garotos de 12 a 19 anos da comunidade Chão de Estrelas, em Campina do Barreto, no Recife, estão aproveitando as férias de julho para discutir sobre adolescência, namoro, sexualidade, gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis. Eles fazem parte de uma experiência inédita que poderá ser reproduzida em outras grandes capitais do País. Trata-se de um programa educativo em saúde sexual para adolescentes do sexo masculino, que vem sendo realizado pela Sociedade Civil de Bem-Estar Familiar do Brasil (Bemfam), com financiamento da Universidade de Londres. Até então, os trabalhos do gênero eram realizados com grupos mistos, reunindo os dois sexos. Um dos desafios é fazer com que os jovens do sexo masculino passem a dividir a responsabilidade com a namorada na prevenção da gravidez e de DSTs, como a Aids, explica Lúcia Soares, psicóloga da Bemfam. A realização das oficinas só com os garotos pode deixá-los mais à vontade para falar de suas dúvidas e preocupações quanto ao corpo e à atividade sexual. O projeto piloto que começa a ser realizado no Recife prevê não só a sua implantação, mas também a avaliação, que deve ser feita pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Na busca para que os homens dividam responsabilidades que, na prática, acabam sendo assumidas só pelas mulheres, o projeto prevê atividades educativas para jovens promovidas também por pessoas da mesma faixa etária. Os adolescentes participam de oficinas e depois repassam a lição aos irmãos, colegas, vizinhos ou pessoas da comunidade. A primeira oficina foi realizada esta semana, na Escola Estadual São Judas Tadeu. Doze garotos da comunidade aceitaram participar da experiência. Durante cinco dias eles se reuniram todas as tardes para trocar e receber informações sobre a adolescência e a sexualidade. As atividades foram coordenadas por duas mulheres, as psicólogas Lúcia Soares, da Bemfam, e Edna Maria de Souza, gerente do programa pela Universidade de Londres. A princípio trabalharíamos com um casal, mas a experiência foi positiva. A nossa referência feminina foi importante para eles, avalia Lúcia. Nessas tardes, os garotos discutiram sobre as mudanças do corpo na adolescência, o papel da mulher e do homem nas relações afetivas, os medos e descobertas da sexualidade e as doenças sexualmente transmissíveis como a Aids. Num pré-teste os meninos demonstraram conhecimento sobre prevenção do HIV, mas foi observada a reprodução de mitos como a influência do tamanho do pênis na obtenção do prazer sexual, a maior necessidade do homem que da mulher quanto à atividade sexual e a defesa da virgindade feminina antes do casamento. RESULTADOS No começo não foi fácil conversar sobre esses temas, mas agora estou gostando muito, disse no penúltimo dia da oficina Fernando Gomes Pereira, 13 anos. O colega José Renato Florêncio, da mesma idade, contou que depois do projeto passou a se sentir mais à vontade para dividir com o irmão de 15 anos as dúvidas sobre sexo. Levo as informações para ele e para minha mãe, que está achando essa história muito legal. O mais velho da turma, Everson Ricardo de Araújo, 19 anos, definiu a experiência como maravilhosa: Aprendi muitas coisas e procurei repassar para minha namorada. Erlan Barbosa da Silva, 16, acredita que terá dificuldade em mudar o pensamento de alguns amigos ainda desinformados. Mas com jeito a gente convence. Tenho um colega que nunca usou camisinha, contou. Anderson Patriarca, 14 anos, defende que essas experiências se tornem programas permanentes nas escolas. A idéia é realizar mais três oficinas, com grupos diferentes de jovens do sexo masculino. Os garotos serão acompanhados por 12 meses, sendo auxiliados em ações educativas a serem realizadas na comunidade. Antes da primeira oficina foi feita uma sensibilização no bairro e realizada uma conversa com os pais. |
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