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CIRCUNCISÃO
Postectomia até os 4 anos pode prevenir o câncer de pênis

por Marcelo Robalinho

Os registros históricos apontam a ocorrência das primeiras circuncisões na Idade da Pedra (cerca de 10 mil anos antes de Cristo). Elas eram realizadas muitas vezes para fins religiosos ou simplesmente por motivos de saúde e higiene. Atualmente, os médicos restringem a realização dessa cirurgia, que consiste numa plástica do prepúcio para exposição da glande. Segundo eles, a circuncisão (ou postectomia) só é indicada para os pacientes que sofrem de fimose, apresentam irritações e inflamações crônicas causadas por bactérias e fungos ou têm excesso de prepúcio. Nesses casos, o risco de desenvolver o câncer de pênis é grande, sobretudo nas regiões com população mais pobre.

No Brasil, estimativas demonstram que a doença representa aproximadamente 2% dos tumores nos homens, sendo cinco vezes mais freqüente no Nordeste, com incidência maior em pacientes não-circuncidados, associada à própria fimose e à má higiene no pênis. “Homens com fimose têm de fazer a circuncisão. Mas, nem sempre a operação é recomendada para os que têm excesso de prepúcio. Varia de paciente para paciente”, pondera Roberto Cohen, urologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco.

Nas duas situações, porém, devido à dificuldade de realizar uma limpeza adequada, a glande acaba acumulando esmegma (secreção conhecida popularmente como ‘sebo’), considerado um meio favorável para proliferação de bactérias, fungos e vírus. Entre estes últimos, o HPV (sigla em inglês para papilomavírus humano), um dos causadores do câncer de pênis. “A putrefação do esmegma depositado na glande exerce, inclusive, durante a relação sexual, complicações para a parceira, já que a substância pode acarretar ação cancerígena sobre o colo uterino, além de vaginites, os famosos corrimentos, de odor fétido e aparência amarelada”, diz o chefe do Departamento de Ensino e Pesquisa do Hospital do Câncer, Joaquim Branco.

Nos Estados Unidos, boa parte dos meninos nascidos em hospitais são circuncidados como medida de higiene e prevenção do câncer. Na opinião do professor da UPE Roberto Cohen, a postectomia deveria ser feita no Brasil, de forma mais ampla, sobretudo em regiões mais pobres e carentes de instrução, a exemplo do Nordeste, como forma de evitar o câncer de pênis, além de infecções e algumas doenças sexualmente transmissíveis, como gonorréia e sífilis. Nesses locais, afirma Cohen, os hábitos de assepsia são mais precários.

“Recomenda-se operar ainda na primeira infância (até os 4 anos de idade). Fazer a circuncisão na idade adulta para prevenir o câncer peniano não tem mais significado algum”, atesta. Para o estudante Fernando Lima, 24 anos, saúde e higiene foram os motivos principais que o levaram a optar pela cirurgia. “Só senti um pouco de incômodo durante a primeira semana após a circuncisão. Depois, voltou tudo ao normal, só que com a diferença de que agora não preciso me preocupar tanto com a assepsia do pênis”, assegura Henrique, que realizou a postectomia há cerca de três anos.

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Jornal do Commercio
Recife - 25.07.2000
Terça-feira