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DIAGNÓSTICO
Expedição Velho Chico faz radiografia ambiental da bacia do Rio São Francisco

por Josélia Menezes
ESPECIAL PARA O JC

FLORESTA – Saiu ontem desta cidade, a 438 quilômetros do Recife, a expedição Velho Chico, que há mais de um mês percorre a bacia hidrográfica do Rio São Francisco, com 630 quilômetros quadrados, da nascente, na Serra da Canastra, em São Roque de Minas (MG), até a foz, entre Piaçabuçu (AL) e Brejo Grande (SE), passando por sete Estados. A expedição é patrocinada pela iniciativa privada e apoiada pela Fundação SOS Mata Atlântica e TV USP. Seu objetivo é avaliar e registrar, num documentário e em quatro mil fotos, a situação socioambiental da bacia do rio, objeto do polêmico projeto de transposição.

A equipe, composta pelo fotógrafo Jurandir Lima, pelo cinegrafista Michelangelo Romano, ambos de São Paulo, e pela médica carioca Tatiana Silveira, vem constatando que a situação ambiental do rio é preocupante. “Como não tem mais mata ciliar, ele perdeu sua proteção natural e tornou-se cada vez mais largo e raso”, avaliou Lima, chefe da expedição.

Segundo ele, o assoreamento chega a transformar bancos de areia em ilhas habitadas sazonalmente, especialmente na região de São Francisco (MG). Lima contou que, ao longo do percurso, pescadores reclamam da redução persistente do pescado. Em Sobradinho, o maior lago artificial do mundo, a produção pesqueira caiu de 50 mil toneladas por ano para cerca de cinco mil, em 15 anos.

A equipe se surpreendeu com a total falta de tratamento dos esgotos das cidades que compõem a bacia hidrográfica do Velho Chico. Pesquisas demonstram que 30% das nascentes já estão comprometidas. “Na Serra da Canastra, duas das principais nascentes estão secando”, afirmou Lima. Dos 16 afluentes perenes, Ipanema, Rio Verde e Salitre já são temporários.

Filiado à Fundação SOS Mata Atlântica, que monitora esse ecossistema em todo o País, ele criticou o projeto federal de transposição das águas do São Francisco. “É lamentável que o governo aprove um projeto desses sem discutir profundamente seus reflexos futuros”, observou.

Lima elogiou, entretanto, a iniciativa da Prefeitura de Petrolina, que desenvolve, há três anos, o projeto de reflorestamento da mata ciliar, num total de 170 quilômetros, com espécies nativas e frutíferas. “Essa foi a única iniciativa que registramos em favor do rio. É digna de ser copiada, com o máximo de urgência”.

A expedição refaz o itinerário de religiosos franciscanos que percorreram o São Francisco há cerca de um ano, denunciando o descaso com o rio, e inclui ações sociais como distribuição de 15 mil kits com escova e creme dental, 4.500 peças de roupas arrecadadas e palestras sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, saúde bucal e conservação do meio ambiente.

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Jornal do Commercio
Recife - 25.07.2000
Terça-feira