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O brilho volta às noites recifenses por Schneider Carpeggiani Recifense adora sair para beber. E tendo o bar mesas na calçada, é que ele passa a noite inteira sem sair do lugar. Chega a dar a impressão que surgiram raízes profundas em volta das cadeiras. Se no meio da bebedeira, alguém tiver a grande idéia de esticar a noite em uma boate, logo escuta: Mas Recife não tem aonde ir para dançar.. Há uns três anos, até que essa desculpa poderia colar e tudo ficar por isso mesmo. Mas hoje em dia, ela é furada. A capital pernambucana tem sim, opções de boates, basta ter coragem de largar a cerveja. Só na semana passada, duas novas casas noturnas foram inauguradas na cidade, a UAU! e a Fashion Club. Ambas com interesse de atingirem os recifenses das classes A e B. Para isso, ingressos e consumação mínima superando a casa de R$ 20 e lista de sócios vips. Um retorno das boates notadamente elitista, como as extintas Over Point e Hippopotamus. A UAU! pertence ao casal Cláudia e Paulo Galindo, proprietários do complexo de diversão Chaplin, o maior da capital do Rio Grande do Norte, que funciona há 15 anos. Ele é um antigo conhecedor da noite recifense e desde sempre um dono de casa noturna. Aos 17 anos, inaugurou uma boate em Olinda, a Micos, considerada a primeira da cidade. Não estou preocupada com concorrência, no momento que pensar assim, vou esquecer a minha casa. Recife é uma cidade bem maior do que Natal. Se você juntar a capacidade de cada uma das boates recifenses, não vai chegar a um número superior a 10 mil pessoas. Uma numeração ínfima em uma cidade com bem mais de 1 milhão de habitantes, afirmou Cláudia. E completou logo em seguida: Quanto mais boates, melhor. Tem um ditado aqui que diz que quanto mais cabras, mais cabritos na rua. Cláudia afirma ainda que não acha os preços da UAU! caros, já que aposta muito na sua estrutura. A decoração está fantástica e a nossa chefe de cozinha é francesa. Esta semana inauguramos um sushi, da rede Sushimi. Temos serviço de manobristas, que as outras boates não têm. O custo de uma casa noturna, com uma estrutura como a nossa, não é barato. Para Maria do Céu, responsável pela Cats e promoter da extinta Doktor Fróid, é bom que apareçam casas elitistas do porte da UAU!. O recifense estava mal acostumado com os preços das nossas boates. Sei pela minha experiência que é impossível manter uma casa noturna, como são essas duas, com um ingresso mais barato. Trabalhar na noite é caro. Poucos se lembram que, quando a Fróid surgiu, a gente cobrava R$ 10 de entrada e R$ 9 de consumação e ela vivia cheia, declarou Maria. PISTAS ECONÔMICAS Quem se assustou com o preço das novas boates, não deve se preocupar de cara e voltar para o esquema de deixar a noite morrer na cerveja. Há outras opções também. E por preços bem mais em conta, como a Alcatraz e a Maluco Pop, cujas entradas costumam esbarrar na casa dos R$ 10. Mesmo cobrando um preço inferior, Tito, um dos responsável pela Alcatraz e pelo pub Downtown, vê com preocupação a entrada das novas casas. Acho que Recife não tem capacidade para tantas pistas de dança e um deles vai fechar as portas em breve. Não acho o preço das novas boates caro, afinal elas cobram pela estrutura que têm. Mas o público recifense não está acostumado a pagar tanto para se divertir. No início, todo mundo vai porque é novidade. Boates daquele porte não podem funcionar com uma capacidade de apenas 1000 pessoas por noite, definiu Tito. Desde que inaugurou, a Alcatraz vem passando por várias mudanças para atrair o público, que foi pequeno no início. Tirou a consumação mínima, colocou bandas de pop/rock, liberou a entrada para as mulheres na quinta e transformou a sexta em uma noite para hits do passado. Com as mudanças, a casa começou a ter filas e figurou como a melhor da cidade no guia da Veja. Quando conseguimos a classificação na revista, éramos praticamente os únicos na cidade. Agora terei de bolar novas soluções para manter as pistas cheias. Para as boates gays, as novas casas não são preocupação. Afinal, seu público é mais específico e os preços morrem nos R$ 10. Na Butterfly, por exemplo, o ingresso só aumenta quando são realizados shows, mas não passam de R$ 8. Com a recente mudança de direção, ela será reformulada. O Recife tem público para manter as boates gays funcionando, sem preocupação com concorrência, explicou Denise Santos, responsável pela Butterfly. |
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