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As ironias deste querido mundo

por Janaína Lima

A noite de revéillon é sempre um grande acontecimento. Tem gente que fica em casa, outros vão a festas nos hotéis, outros ainda não abrem mão da dobradinha: branco, praia e flores a Iemanjá. Há também os que ficam na beira do mar apenas olhando os fogos de artifício estourarem à meia-noite. E era exatamente isso o que Elza queria. Romper o ano em Boa Viagem ao lado do marido Gilberto, vendo os fogos e comendo sururu.

Num descuido de Gilberto, a tão sonhada explosão dos fogos acaba acontecendo na sala de Elza. O bujão explode e causa não só a morte de Gilberto, mas quase põe abaixo o prédio inteiro. Presa no seu próprio kitinete, ela encontra apoio no único vizinho. Osvaldo também invadiu o edifício ainda em obras.

A trama rocambolesca idealizada por Miguel Falabella ganha montagem pernambucana amanhã, no Teatro Apolo. Em cena, os atores Marilena Breda e Carlos Lira vivem os personagens cômicos transportados para o bairro do Ipsep pelo diretor Carlos Carvalho.

Além da adaptação da trama para o universo da periferia do Recife, a peça traz uma trilha sonora especialmente composta para esta versão, por Soninha Guimarães, do grupo Comadre Florzinha. As coreografias são de Arnaldo Siqueira. A Atos Produções e a Oficina 2 Rodrigues estão juntas na empreitada.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.07.2000
Sexta-feira