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Produções de época com estilos bem diferentes

por Marcos Toledo

O forte nas estréias do fim de semana nas salas de cinema do Estado ainda são os ‘papa-bilheterias’ das férias. O desenho animado Pokémon: O Filme 2000 e o blockbuster O Patriota, com o galã Mel Gibson, arrebatam seis salas cada um. O obscuro O Primeiro Milhão, com Ben Affleck, entra timidamente em sessões limitadas nos shoppings.

Uma boa notícia é que o filme programado para a Sessão de Arte se estenderá por toda a semana. Chá com Mussolini, mais recente do italiano Franco Zeffirelli, traz um elenco de estrelas – Cher, Joan Plowright, Lily Tomlin – na curiosa história de um grupo de mulheres que se reúne todos os anos para um chá, em plena Itália da era do ‘Duce’.

Entre as opções alternativas, o Apolo reapresenta Regras da Vida – ainda inédito em vídeo. No Cinema da Fundação, o excelente Buena Vista Social Club cumpre a 6ª semana, em par com o espirituoso O Mundo de Andy – ambos, apenas a partir de segunda-feira, devido a uma reforma no prédio da Fundaj. Por fim, a sala do Instituto Lula Cardoso Ayres mostra a primeira versão para o cinema da lenda do garoto criado por primatas na selva, Tarzan, o Homem-Macaco (1918), com Elmo Lincoln.

A triste notícia fica por conta do preço do ingresso nos Cines Art Guararapes, que segue a ‘estratégia’ adotada pelos multiplexes, de ingressos diferenciados por horários, em um mesmo dia.

ÉPICO – Quem for conferir O Patriota, pelo título, já sabe o vem pela frente. O filme é uma tentativa de se fazer um épico definitivo sobre a guerra civil que provocou a independência dos Estados Unidos, no século 18. Discursos nacionalistas, cenas gloriosas flâmula em punho em câmera lenta rumo à liberdade, etc e tal.

Descontado o ufanismo fatídico, trata-se do melhor trabalho do alemão Roland Emmerich (Soldado Universal, Independence Day, Godzilla), que prima por uma produção plástica – fotografia, cenários, figurinos – de primeira linha, e a segura interpretação do elenco puxado pelo cada vez melhor Gibson.

Prepare-se, no entanto, para seqüências de grande apelo emocional. O desenvolvimento ora ameno – brincadeiras fazem a guerra quase parecer divertida – é costurado por cenas fortes, tanto do ponto-de-vista da brutalidade, quanto dos sentimentos mais íntimos. Um artifício abusado na trama é a exploração o tempo inteiro das famílias dos rebeldes – em especial de Gibson – expostas à violência latente. Ainda assim, acima da média.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.07.2000
Sexta-feira