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COMPORTAMENTO
Só é impotente quem quer

por Antônio Marinho e
Marcia Cezimbra
Agência Globo

A impotência acabou. É o que garante a medicina do século 21, com os novos tratamentos para o transtorno sexual, que atinge cerca de 18 milhões de americanos e 10 milhões de homens na América Latina. Para começar, a impotência mudou de nome. Chama-se agora disfunção erétil e consiste na dificuldade de ter ou manter ereção por tempo suficiente para uma relação sexual satisfatória. Esta nova definição engloba não só a impotência clássica como também as ereções fugazes e a ejaculação precoce.

Os médicos dizem que o ejaculador precoce é também um impotente, tão incapaz de manter relação sexual quanto quem não tem ereção. Por isto, dados da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana indicam que 35% dos homens sofrem com disfunções sexuais (impotência e ejaculação precoce). As causas do distúrbio, em 70% dos casos, não são físicas, segundo o urologista Marcio Sister.

Seja qual for a origem do mal, física, psíquica ou desconhecida, pílulas como o Viagra, injeções vasodilatadoras e uma variedade de próteses penianas viabilizam o sonho masculino e feminino do fim da impotência. Até um diabético de longa data pode recuperar a virilidade perdida. Outra novidade fundamental, segundo Sister, é a participação da mulher. Com todos os recursos da medicina, o homem não procurava tratamento por vergonha. Agora, a mulher o incentiva a se tratar, por entender que a impotência não afeta o homem, mas o casal.

Sister comenta que o resultado é muito mais rápido e satisfatório quando a esposa acompanha todo o processo, dos exames hormonais à escolha do tratamento adequado. “Tenho pacientes que apresentam melhora só por conversar aqui com a mulher sobre exercícios para aumentar a libido. A mulher é um estímulo fundamental, e a maioria, hoje, participa do tratamento”, diz.

O comportamento da mulher brasileira é oposto ao de Carmen Legg, protagonista do best-seller Mulher solteira procura homem impotente para relacionamento sério, da jornalista alemã Gaby Hauptmann (Editora Rocco). Gaby critica a falta de afetividade dos homens que só pensam em sexo, ao ponto da heroína buscar um impotente desde que ele a amasse.

“O livro mostra uma mulher decidida a renunciar ao sexo como forma de satisfazer suas carências afetivas. Isto choca porque muitos homens só têm sexo para oferecer”, afirma Gaby.

As brasileiras, porém, fazem questão de boa vida sexual. A personagem Yvete (Soraya Ravenle), da novela Laços de família, é exemplo da mulher que busca solução para a impotência de Viriato (Zé Victor Castiel). Sister diz que, em muitos casos, apenas o programa de orientação de casais que ele trouxe do Synclair Institute, de Illinois, resolve o problema.

“É um curso informativo, porque 70% dos impotentes têm ignorância sexual, apesar de bom nível cultural. Temos aula de anatomia, vídeos eróticos e estimulantes deveres de casa”. O médico até foi convidado para uma participação especial na novela. Yvete e Viriato vão procurá-lo e farão o tal curso. Se a arte imita a vida, Viriato vai recuperar a virilidade. Ou arruinará a reputação do médico, na ficção e na vida real.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.07.2000
Domingo