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FRACASSO EM CAMP DAVID Israel e palestinos prontos para a guerra JERUSALÉM Enquanto continua o impasse nas negociações de paz de Camp David, nos Estados Unidos, palestinos e israelenses se armam para um eventual confronto caso fracassem as conversações entre o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, e o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat. Ontem, apesar das manifestações da extrema-direita israelense pedindo o retorno de Barak, uma pesquisa mostrou que 59% dos israelenses esperam que algum acordo seja obtido na cúpula. Membros da delegação israelense nos Estados Unidos disseram que Barak foi informado pelos serviços de informações de seu país que Arafat ordenou à Fatah que se prepare para uma possível guerra com Israel, se a cúpula terminar em fiasco. A Fatah é o grupo político a que pertence Arafat. Os órgãos de segurança israelenses informaram que a AP está contrabandeando armas para serem utilizadas caso Israel invada as zonas autônomas palestinas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Os palestinos, por sua vez, acusam os israelenses de estar reforçando suas tropas em Gaza e na Cisjordânia. Essas duas regiões e Jerusalém Oriental foram ocupadas por Israel na Guerra dos Seis dias, em 1967. Em Camp David, as negociações entraram ontem no 14º dia sem que nenhum resultado fosse divulgado. O presidente norte-americano Bill Clinton, mediador do encontro, reuniu-se em separado com Arafat e Barak. O porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, informou que Clinton iria decidir como dar prosseguimento ao diálogo. Isto não é infindável, frisou Boucher. Pesquisa do Instituto Gallup divulgada ontem pelo jornal israelense Maariv revela que 59% dos israelenses esperam que Barak chegue a algum acordo, mas 50% disseram que votariam contra um acerto que inclua a cessão aos palestinos da soberania sobre a parte árabe de Jerusalém e a volta de alguns milhares de refugiados palestinos para Israel, entre outras questões. Ainda ontem, um ex-chefe da polícia israelense nos bairros árabes de Jerusalém Oriental, Ariel Amit, declarou que Arafat já exerce de fato a soberania nessa área da cidade. Amit afirmou que a universidade, o hospital e os colégios árabes reportam-se à AP. Os israelenses nem sabem como chegar lá, disse Amit. APOIO RELIGIOSO Após reunião com uma delegação palestina, os três patriarcas cristãos de Jerusalém, monsenhor Michael Sabbah, da igreja católica romana, Diodros I, da Igreja Ortodoxa Grega, e Torkom II, da igreja ortodoxa armênia, declararam seu apoio aos palestinos em relação à soberania da parte leste de Jerusalém, anexada por Israel em 1967. Jerusalém-leste é uma cidade palestina, e deve voltar à soberania palestina, declarou à imprensa a deputada Hanan Achraui, após reunião de responsáveis palestinos com os três patriarcas cristãos de Jerusalém. |
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