LG_jc.gif (3670 bytes)


SEU DINHEIRO
Regina Pitoscia

Energéticas puxam alta da Bolsa

Bolsa de São Paulo apurou modesta valorização de 0,39%. Embora tenha fechado em nível bastante abaixo da alta máxima de 1,54% do dia, o mercado resistiu, mais uma vez, à baixa das ações nos EUA, ontem. Em Nova Iorque, o índice Nasdaq, das ações de tecnologia e Internet, amargou nova baixa, de 112,84 pontos ou 2,76%, após ter recuado 90,11 pontos ou 2,15% o último pregão. O Dow Jones, dos papéis de empresas tradicionais, perdeu mais 48,4 pontos ou 0,45%, depois de ter caído 110,3 pontos ou 1,02% na sexta-feira.

A sustentação da Bolsa de São Paulo, apesar da continuidade de queda dos índices Nasdaq e Dow Jones, foi dada pela forte arrancada das ações da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e, com ela, dos demais papéis das empresas do setor elétrico. A ação preferencial nominativa (PN) da Cesp subiu mais de 23%, no melhor momento do dia, mas teve a alta diluída para 13,1%, para 24,50%, no fechamento, ainda assim a maior alta entre as ações do Índice Bovespa (IBovespa). Seguiram-se Transmissão Paulista PN, com alta de 11,6%, e Light ON, com 7%.

Não faltaram rumores e comentários para explicar o desempenho da Cesp no pregão de ontem. Entre eles, que o governo paulista assumiria a dívida da companhia, cuja privatização está prevista para novembro; a cotação das ações do setor estavam atrasadas em relação aos papéis de telecomunicações; e perspectiva de novos reajustes nas tarifas do setor. A alta da Cesp contagiou também os papéis do Banespa, que subiram 6,1%, porque o banco paulista é grande detentor de ações da empresa de energia.

Analistas de mercado comentam que a alta da Bolsa paulista, desgarrando-se do mercado de ações nos EUA, reflete também os bons indicadores da economia doméstica, principalmente o recuo das taxas de juros. Em tese, a queda dos juros favorece duplamente o mercado de ações: pelo crescimento da economia que amplia o lucro e valoriza as ações das empresas e pelo maior interesse pelas ações, por parte dos investidores, por causa da queda de rentabilidade nas aplicações de renda fixa.

A questão é saber se o mercado está suficientemente consistente para andar pelas próprias pernas, indiferente às oscilações em Nova Iorque. Hoje, por exemplo, os investidores estarão acompanhando o depoimento do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Alan Greenspan, para descobrir possíveis pistas sobre o rumo dos juros norte-americanos.

TENDÊNCIAS – Contratos de juro futuro negociados na BM&F indicam para julho taxa de 16,49% ao ano (1,28% efetiva ao mês), abaixo dos 16,53% (1,28%) projetados na sexta-feira. Recuou a taxa projetada para agosto, de 16,63% ao ano (1,41% ao mês), no dia útil anterior, para 16,54% ao ano (1,41% ao mês). Contratos de dólar futuro apontam, em relação à cotação de R$ 1,7921 à vista, alta de 0,39%, para R$ 1,7990, até 31/7, e de 1,24%, para R$ 1,8143, até 31/8.

Ouro
As cotações recuaram nos mercados de dólar paralelo e comercial. O paralelo caiu 0,16%, negociado por R$ 1,900 para compra e R$ 1,927 para venda, e o comercial perdeu 0,33%, comprado por R$ 1,790 e vendido por R$ 1,792, no fechamento dos negócios.

Renda fixa
DBs prefixados de 30 dias foram emitidos ontem por taxa estável em relação a sexta-feira. A taxa máxima, de 17,13% ao ano, correspondeu a remuneração de 1,33% bruto e 1,06% líquido ao mês. Para R$ 5 mil, a taxa média nas agências bancárias foi de 13,66% ao ano, ou 1,07% bruto e 0,86% líquido; para R$ 30 mil, 14,51% ao ano, ou 1,14% bruto e 0,91% líquido; para R$ 50 mil, 15,24% ao ano, ou 1,19% bruto e 0,95% líquido ao mês.
É esperada pouca oscilação nas taxas dos CDBs prefixados de 30 dias. Isso porque o Copom indicou estabilidade até 23 de agosto, quando se reúne novamente. As taxas dos CDBs estão alinhadas com as projeções que os investidores fazem no mercado futuro de juros para o CDI.


Jornal do Commercio
Recife - 25.07.2000
Terça-feira