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MEMÓRIA III Evangelho usado em favor dos pobres Pobre evangelizando pobre. Com essa missão nasceu no domingo de Pentecostes de 1969 - festa realizada 50 dias após a Páscoa em comemoração à descida do Espírito Santo sobre os apóstolos - o Encontro de Irmãos. Cria do então arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, o movimento, através do Evangelho, discute e encontra soluções para os problemas dos participantes. Dom Hélder dizia que o Encontro de Irmãos era do Espírito Santo para que ninguém pensasse em ser dono, recorda Joana Cavalcanti da Silva, moradora do Morro da Conceição e integrante do movimento desde a fundação. O Encontro de Irmãos é composto por milhares de pessoas distribuídas em 13 setores. Neles atuam grupos de cinco e até de 20 pessoas, que se reúnem semanalmente, à noite, numa casa para a leitura bíblica. À luz do Evangelho a gente luta por nossos direitos de cidadãos. Diante de um problema, perguntamos como Jesus reagiria, para podermos reagir da mesma forma, explica Joana. Ao longo desse tempo, o movimento contabilizou muitas vitórias. Na década de 70, a falta de água aterrorizava comunidades pobres. Depois de muitas idas e vindas à Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e ao Palácio das Princesas, o abastecimento dágua se normalizou. Na Bomba do Hemetério, a construção do Colégio Mardônio Coelho foi resultado da mobilização. Conseguimos também o calçamento de ruas e a doação e compra de filtros para o povo beber água filtrada, cita Joana. Ela diz que o arcebispo ensinava as pessoas a reivindicar. Ele não dava o peixe para a gente comer, mas dava o anzol para pescar. E assim nos ajudava, recorda. |
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